Trump intensifica ofensiva para tornar a Groenlândia parte dos EUA e preocupa a Dinamarca; ação já tem data prevista

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Um relatório recente publicado pelo portal Politico acendeu alertas vermelhos nas capitais europeias ao sugerir que os Estados Unidos podem tentar estabelecer controle sobre a Groenlândia antes de 4 de julho de 2026. A estratégia aproveitaria uma “janela de oportunidade” estratégica: o marco do 250º aniversário da independência americana e o período que antecede as eleições de meio de mandato nos EUA.

O movimento reflete a insistência do presidente Donald Trump de que a ilha é um ativo fundamental para a segurança nacional. Diferente de intervenções diretas, a Casa Branca estaria planejando uma campanha de influência política para desestabilizar a governança interna do território, que é uma região autônoma do Reino da Dinamarca.

Reação em Copenhague e Nuuk

A retórica de anexação reabriu uma ferida diplomática profunda com a Dinamarca. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, foi enfática ao afirmar que a discussão “não faz sentido” e que Washington não possui base legal para reivindicar qualquer parte do reino.

Na Groenlândia, o líder Jens-Frederik Nielsen descreveu as provocações vindas de Washington — incluindo postagens em redes sociais de assessores da Casa Branca sugerindo uma posse “em breve” — como desrespeitosas. A mensagem do governo local é clara: o território não está à venda. Apesar disso, analistas do Eurasia Group alertam que o risco de uma ofensiva de influência silenciosa é real, buscando apoio local para expandir a presença militar e civil americana.

Geopolítica e tensões na União Europeia

O debate ganha contornos dramáticos em Bruxelas, onde a União Europeia tenta equilibrar a diplomacia. Embora 26 países do bloco tenham reafirmado o respeito ao direito internacional e à soberania territorial, a dependência europeia do apoio militar dos EUA para a segurança do continente e para o conflito na Ucrânia gera um receio paralisante de criticar abertamente o governo Trump.

Enquanto líderes europeus se reúnem em Paris para discutir a agenda de defesa, a questão da Groenlândia surge como um fator de instabilidade que pode comprometer a unidade transatlântica.

Mudança de tática e divisões internas

Relatos indicam que Trump alterou sua abordagem: após tentar intimidar Copenhague sem sucesso, agora ele foca em apelar diretamente aos cidadãos da ilha, incentivando aspirações de independência para enfraquecer o vínculo com a Dinamarca. Especialistas sugerem que a Casa Branca busca um acordo direto com as autoridades de Nuuk, ignorando os canais diplomáticos tradicionais.

No entanto, o governo dinamarquês nota contradições na postura americana: enquanto a retórica exalta o valor estratégico da ilha, houve redução de efetivos militares e baixo investimento privado americano na indústria mineral local, o que torna as intenções de Washington ainda mais desconcertantes para os aliados europeus.

O legado histórico e a resistência local

A Groenlândia possui uma importância estratégica para os EUA desde a Segunda Guerra Mundial, abrigando bases cruciais para sistemas de alerta de mísseis. Embora o movimento de independência tenha ganhado força nos últimos anos, impulsionado por revisões históricas do período colonial dinamarquês, a ameaça de uma possível absorção americana parece estar produzindo o efeito oposto.

Em uma demonstração de unidade nacional, os principais partidos da ilha formaram recentemente um governo de coalizão sob um lema inequívoco: “A Groenlândia nos pertence”.

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