Trump envia armada ao Oriente Médio, após onda de mortes no Irã; Israel declara prontidão de ataque
O presidente Donald Trump confirmou que uma “armada” dos Estados Unidos está em deslocamento para o Oriente Médio como medida de precaução diante das crescentes tensões com o Irã. A bordo do Air Force One, o republicano afirmou que Washington monitora a situação de perto e que, embora prefira evitar um confronto direto, a frota está pronta para intervir caso seja necessário.
O contingente inclui o porta-aviões USS Abraham Lincoln e diversos destróieres equipados com mísseis guiados, além do reforço em sistemas de defesa aérea em bases americanas e israelenses. No campo diplomático, o Reino Unido também intensificou sua presença na região com o envio de caças Eurofighter Typhoon ao Catar.
Apesar da demonstração de força, Trump recuou de planos de ataque direto contra Teerã nas últimas semanas. Relatos indicam que a ausência de uma estratégia militar decisiva para a mudança de regime, somada aos apelos de cautela feitos por aliados no Golfo, influenciou a decisão do presidente em priorizar a vigilância sobre a ação imediata.

Repressão sangrenta e balanço de mortos
No Irã, a crise interna se agrava com números alarmantes de vítimas. De acordo com a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), o total de mortos na repressão governamental contra manifestantes subiu para 5.002. O levantamento detalha que a maioria das vítimas é composta por manifestantes, mas também inclui crianças, civis e agentes do governo. O número de prisões já ultrapassa 26 mil, consolidando esta como a onda de protestos mais violenta desde a revolução de 1979.
As manifestações, iniciadas no final de dezembro após a desvalorização acentuada do rial, evoluíram rapidamente de demandas econômicas para pedidos de queda do regime. A resposta de Teerã tem sido marcada por um bloqueio severo de internet e o uso de força letal, conforme denunciado por órgãos internacionais.
Críticas da ONU e violações de direitos humanos
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a situação como “assustadora” durante sessão de emergência em Genebra. Türk denunciou a existência de vídeos que mostram centenas de corpos com ferimentos fatais e criticou o judiciário iraniano por negar clemência aos detidos.
A ONU expressou profunda preocupação com a possibilidade de execuções em massa e com a falta de transparência nos processos judiciais, que têm atingido de advogados a atletas e celebridades.
A relatora especial Mai Sato reforçou o coro internacional ao exigir acesso ao país para investigações independentes. Ela destacou a coragem da população iraniana e condenou o uso desproporcional da força contra pessoas desarmadas, ressaltando que a violência estatal foi intensificada no início de janeiro com ordens de “atirar para matar”.
Colapso econômico e narrativa oficial
Enquanto o governo iraniano tenta deslegitimar o movimento classificando-o como uma conspiração externa, o cenário econômico revela a fragilidade do país. O presidente Masoud Pezeshkian, em tom de reflexão, atribuiu a violência a inimigos estrangeiros que teriam transformado protestos legítimos em batalhas sangrentas. Por outro lado, vozes reformistas dentro do Irã enfrentam silenciamento, exemplificado pelo fechamento do jornal Ham-Mihan após reportagens sobre a brutalidade da repressão.
Nos Estados Unidos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, atribuiu o levante popular à eficácia das sanções econômicas americanas. Segundo Bessent, a estratégia de “pressão máxima” provocou o colapso do sistema bancário iraniano e a escassez de moeda estrangeira, forçando a população a tomar as ruas sem a necessidade de um confronto bélico direto por parte de Washington.
Escalada militar regional
A tensão não se resume aos EUA e Irã. Israel, através do Chefe do Estado-Maior, Tenente-General Eyal Zamir, declarou prontidão total para enfrentar qualquer ameaça. Durante visita a uma base aérea que opera caças furtivos F-35I, Zamir alertou que as forças israelenses possuem capacidade ofensiva sem precedentes e estão preparadas para uma “guerra surpresa”, baseando-se em experiências recentes de combate.
Em contrapartida, oficiais de alta patente do Irã advertiram que qualquer agressão militar transformaria as bases americanas na região em alvos legítimos. Embora Trump mantenha aberta a possibilidade de novas incursões militares — especialmente após o envolvimento dos EUA em conflitos recentes para conter o programa nuclear de Teerã — o momento atual parece marcado por um impasse tenso, onde ambos os lados testam os limites da diplomacia e da dissuasão.


