Trump acusa Petro de manter fábricas de drogas e ameaça Colômbia com ação semelhante à de Caracas
O cenário de tensão na América Latina ganhou um novo capítulo com as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um discurso agressivo proferido a bordo de seu avião oficial, Trump voltou a acusar diretamente o presidente colombiano, Gustavo Petro, de envolvimento com a produção de cocaína.
Sem apresentar evidências concretas, o líder norte-americano sugeriu que Bogotá poderia ser o próximo alvo de uma intervenção militar, traçando um paralelo direto com a operação realizada em Caracas no dia 3 de janeiro, que culminou na captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores.
O endurecimento do discurso de Trump
Ao ser questionado por jornalistas sobre a viabilidade de uma incursão militar em solo colombiano, Trump demonstrou entusiasmo com a ideia, afirmando que a proposta lhe parecia “ótima”. O republicano descreveu Petro como um “homem doente” e afirmou que o líder vizinho mantém fábricas de entorpecentes destinadas ao mercado americano. Esta retórica é uma escalada das advertências feitas no último sábado, quando Trump já havia aconselhado o homólogo colombiano a “ficar de olho no próprio traseiro”, sinalizando que a paciência de Washington com a administração de Bogotá chegou ao limite.
A crise diplomática entre os dois países não é recente e vem sendo alimentada por meses de trocas de insultos. A tensão atingiu um ponto crítico em outubro passado, quando o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu Gustavo Petro na lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). Na ocasião, Washington alegou que, sob o governo de Petro, a produção de cocaína atingiu recordes históricos. Trump reforçou essa postura em dezembro, ao declarar que qualquer nação envolvida na exportação de drogas para os EUA estaria sujeita a represálias diretas, colocando a Colômbia no centro do alvo militar e econômico.
A defesa de Petro e as críticas ao militarismo
Do outro lado, Gustavo Petro tem reagido de forma incisiva, classificando as operações navais dos EUA no Caribe e no Pacífico como “execuções extrajudiciais”. O presidente colombiano argumenta que o bombardeio de embarcações sob o pretexto do combate ao narcotráfico tem causado mortes civis desnecessárias.
Em uma tentativa de provar sua cooperação, Petro convidou Trump a visitar a Colômbia para acompanhar a destruição diária de laboratórios de refino. Segundo o governo colombiano, pelo menos nove complexos de produção são desmantelados por dia, um esforço que, segundo Petro, é ignorado pela Casa Branca em favor de uma narrativa intervencionista.


