Tesouro dos EUA convoca cúpula de emergência com grandes bancos diante de nova ameaça cibernética
O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, convocou nesta semana uma reunião emergencial com os líderes das maiores instituições financeiras do país. O encontro, reportado pelo Financial Times, teve como pauta central os riscos cibernéticos sem precedentes apresentados pelo novo modelo de inteligência artificial da Anthropic, o Claude Mythos Preview. A preocupação das autoridades aumentou após a própria desenvolvedora admitir que a ferramenta possui capacidades tão avançadas que sua liberação ao público geral seria considerada temerária.
Diferente de versões anteriores, o Claude Mythos Preview será restrito a um grupo seleto de mais de 40 gigantes da tecnologia, incluindo Apple, Amazon e Microsoft. O objetivo deste consórcio é utilizar a IA para identificar e corrigir falhas em softwares de infraestrutura crítica. De acordo com a Anthropic, o modelo já demonstrou sua eficácia ao detectar milhares de vulnerabilidades graves em sistemas operacionais e navegadores de escala global — falhas que passaram despercebidas por especialistas humanos durante anos, mas que agora representam um dilema de segurança nacional.
A vulnerabilidade do sistema financeiro em pauta
Diante do potencial da ferramenta para mapear brechas que poderiam ser exploradas por agentes maliciosos, Bessent reuniu-se com os CEOs de instituições como Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Wells Fargo. O foco do Tesouro é blindar o sistema financeiro contra ataques que utilizem o raciocínio avançado da IA. Esse movimento corrobora os alertas recentes de figuras como Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, que em sua carta anual apontou a inteligência artificial como um dos maiores riscos sistêmicos da atualidade, exigindo investimentos massivos em defesa cibernética.
O desafio da contenção e o vazamento de código
A urgência do debate foi amplificada por um incidente recente envolvendo a segurança da própria Anthropic. Na semana passada, a empresa expôs acidentalmente o código-fonte do Claude Code, sua ferramenta de programação. Apesar da rápida resposta para remover o conteúdo, o código foi replicado em larga escala em poucas horas. Esse vazamento ilustra a dificuldade técnica de conter tecnologias de alto impacto e serve como um alerta prático para o setor bancário sobre a velocidade com que ferramentas de elite podem escapar do controle corporativo e chegar às mãos de cibercriminosos.