Tensão máxima na Ásia: Japão alerta cidadãos na china após fala de primeira-ministra sobre Taiwan

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Em meio a uma crescente disputa diplomática com Pequim, o Japão alertou seus cidadãos na China para que exerçam cautela, observem seus arredores e evitem grandes ajuntamentos. A escalada de tensões foi desencadeada por comentários feitos pela recém-empossada primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que sugeriu uma possível intervenção militar de Tóquio caso a China ataque Taiwan.

A China, que reivindica Taiwan como seu território e não descarta o uso da força, reagiu com fúria aos comentários, exigindo a retratação de Takaichi e convocando o embaixador japonês na semana passada.

A embaixada do Japão na China publicou um comunicado na segunda-feira aconselhando os cidadãos a “prestarem atenção ao seu entorno e evitarem ao máximo praças onde grandes multidões se reúnem ou locais que provavelmente sejam frequentados por muitos japoneses”.

Além disso, o alerta aconselhava a população a “respeitarem os costumes locais e a terem cuidado com as palavras e atitudes ao interagirem com a população local”. Na terça-feira, o principal porta-voz do governo japonês, Minoru Kihara, afirmou que a recomendação se baseava em uma “avaliação abrangente da situação política, incluindo a situação de segurança”.

A crise se aprofundou com um incidente nas redes sociais. Em 8 de novembro, o cônsul-geral chinês em Osaka, Xue Jian, publicou uma ameaça no X (antigo Twitter) de “cortar aquela cabeça imunda”, em aparente referência a Takaichi.

Tóquio respondeu convocando o embaixador chinês em retaliação à publicação, que desde então foi apagada. Enquanto a tensão política aumenta, o principal funcionário do Ministério das Relações Exteriores para Assuntos da Ásia-Pacífico, Masaaki Kanai, chegou a Pequim na segunda-feira para buscar apaziguar a disputa, realizando reuniões no Ministério das Relações Exteriores chinês na terça-feira.

O impacto da crise já se fez sentir nos mercados, com as ações em Tóquio caindo 3% na terça-feira. A disputa diplomática também afetou o setor de turismo, já que a China – que é a maior fonte de visitantes, com quase 7,5 milhões de turistas nos primeiros nove meses de 2025 – alertou seus cidadãos para evitarem viagens ao Japão, o que causou uma queda nas ações dos setores de turismo e varejo japoneses.

Takaichi, conhecida por ser uma crítica ferrenha do fortalecimento militar chinês na região, havia dito ao parlamento em 7 de novembro que um envolvimento em Taiwan com o “uso da força” poderia constituir uma “situação que ameaça a sobrevivência” do Japão, um dos poucos cenários em que o país se permite agir militarmente, de acordo com suas regras de autodefesa.

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