Surto de gripe aviária: Argentina suspende vendas externas, Uruguai decreta emergência e Paraguai entra em alerta
Uma nova onda de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) colocou os países do Cone Sul em alerta máximo, gerando impactos diretos no comércio internacional e na segurança sanitária regional. Enquanto o Uruguai e a Argentina enfrentam surtos confirmados, o Paraguai mobiliza seus protocolos de vigilância para conter a disseminação do vírus H5.
A situação mais crítica em termos comerciais ocorre na Argentina, onde a detecção do vírus em aves de produção na cidade de Ranchos, província de Buenos Aires, forçou a suspensão imediata das exportações do setor. O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa) ativou protocolos rigorosos que incluem o isolamento das propriedades, desinfecção e o abate sanitário das aves afetadas.
Embora o consumo interno de carne e ovos permaneça seguro — já que o vírus não é transmitido pelo alimento — o impacto econômico é severo. Destinos como China, África do Sul e Chile fecharam as portas para os produtos argentinos. Segundo o Centro de Empresas de Processamento de Aves (CEPA), o país perdeu temporariamente seu status de “livre da doença”, e a retomada das vendas externas dependerá de um ciclo de monitoramento de pelo menos 28 dias e do reconhecimento internacional da erradicação do surto.
Emergência e restrições no território uruguaio
No Uruguai, o governo decretou estado de emergência sanitária nacional após confirmar a presença do vírus em cisnes-coscoroba e outras espécies silvestres nos departamentos de Maldonado, Rocha e Canelones. Até o momento, a análise laboratorial confirmou a morte de aves selvagens e mantém outros casos suspeitos sob investigação.
As medidas restritivas no país incluem a proibição de feiras, exposições e leilões avícolas, além da limitação severa na movimentação de aves de criação doméstica. O Ministério da Pecuária, Agricultura e Pescas reforçou a obrigatoriedade de manter aves em espaços fechados e cobertos, visando blindar o sistema de produção comercial contra o contato com animais silvestres infectados.
Paraguai adota “alerta máximo” preventivo
Diante do cenário nos países vizinhos, o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Animal do Paraguai (Senacsa) elevou o status de vigilância para “alerta máximo”. O país já havia implementado proibições temporárias à importação de produtos avícolas da Argentina e agora foca na detecção precoce. As autoridades paraguaias recomendam que a população não manipule aves doentes ou mortas e reporte qualquer anomalia imediatamente, buscando evitar que o vírus ultrapasse as fronteiras e comprometa o status sanitário paraguaio