Satélites da NASA localizam rios perdidos sob o deserto e confirmam geografia do Éden
Durante milênios, o Jardim do Éden foi relegado ao campo da mitologia e da alegoria religiosa, carente de evidências físicas que sustentassem sua existência. No entanto, a convergência entre textos milenares e a moderna tecnologia de satélite está mudando essa percepção.
Varreduras orbitais e radares de penetração no solo começaram a revelar cicatrizes geológicas que coincidem com os detalhes descritos no Livro do Gênesis, sugerindo que o relato bíblico pode ter sido fundamentado em uma geografia real, hoje sepultada pelas areias do tempo.
O mistério dos rios perdidos
A narrativa bíblica é específica ao citar quatro rios que convergiam no Éden: o Tigre, o Eufrates, o Pisom e o Giom. Enquanto os dois primeiros permanecem como artérias vitais no Iraque moderno, os outros dois desapareceram dos mapas há milhares de anos, levando céticos a duvidar da precisão histórica do texto.

Essa lacuna começou a ser preenchida quando o geólogo Farouk El-Baz, utilizando imagens de radar do ônibus espacial Endeavour da NASA, identificou um leito de rio fossilizado na Arábia Saudita. Conhecido como Wadi al-Batin, este antigo curso d’água possui até cinco quilômetros de largura e cruzava regiões ricas em ouro, alinhando-se perfeitamente à descrição bíblica da terra de Havilá, por onde corria o rio Pisom.
Conexões geográficas e evidências geológicas
Estudos liderados por especialistas como Juris Zarins e James A. Sauer reforçam a tese de que o delta desses quatro rios se encontrava no que hoje é a região do Golfo Pérsico. Segundo as pesquisas, o rio Karun, no Irã, apresenta características sinuosas que remetem ao bíblico Giom.
A análise ambiental revela que, após a última Era Glacial, a Arábia era uma região exuberante e fértil, transformando-se em deserto apenas após mudanças climáticas drásticas entre 2000 e 3500 a.C. A elevação do nível do mar teria submerso o delta original, escondendo o local que serviu de berço para as primeiras civilizações até que a tecnologia da era espacial permitisse sua visualização por meio de sensores térmicos e de radar.

Apesar das evidências no Golfo, o debate acadêmico permanece aberto. Teorias alternativas, como a proposta recentemente pelo engenheiro Mahmood Jawaid, sugerem que o Éden poderia estar localizado nas terras altas da Etiópia, próximo ao Lago Tana, onde o Nilo Azul assumiria o papel do Giom.
Outros estudiosos defendem que o texto bíblico funde memória histórica com simbolismo espiritual, o que tornaria um mapeamento físico definitivo um desafio permanente. Ainda assim, a precisão geográfica do Wadi al-Batin oferece um argumento robusto para aqueles que veem na Bíblia um registro histórico de paisagens que desapareceram da vista humana, mas não da memória coletiva.
O rio oculto e a promessa de restauração
A validação dos rios do Éden ressoa com outras tradições sobre cursos d’água misteriosos, como o Sambatyon. De acordo com a literatura talmúdica e registros históricos de Flávio Josefo, esse rio teria propriedades únicas e serviria de barreira para as dez tribos perdidas de Israel. A tradição judaica sustenta que, assim como a tecnologia revelou os leitos secos do Gênesis, o tempo e a providência revelarão o que permanece oculto.
Para muitos observadores, o reencontro com a geografia do passado não é apenas uma curiosidade arqueológica, mas um sinal de que os relatos antigos mantêm uma precisão que a ciência moderna está apenas começando a decifrar.


