Rússia ameaça reação militar contra mísseis de longo alcance dos EUA em solo alemão
A Rússia subiu o tom contra os planos de Washington de posicionar armamentos de longo alcance em território europeu. Em entrevista recente ao jornal Izvestia, o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Alexander Grushko, afirmou categoricamente que o país responderá à altura caso os Estados Unidos concretizem a implantação desses sistemas na Alemanha.
O diplomata relembrou que Moscou havia estabelecido uma moratória unilateral após a saída americana do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), comprometendo-se a não instalar tais equipamentos enquanto os EUA mantivessem a mesma postura na Europa.
Segundo Grushko, a recusa do Ocidente em aceitar esse equilíbrio demonstra uma falta de responsabilidade política com a segurança regional.
Crítica ao militarismo europeu e ao isolamento da Rússia
Para o governo russo, a atual postura das nações europeias reflete um “sentimento militarista” que busca construir uma arquitetura de segurança voltada exclusivamente contra a Federação Russa. Grushko argumentou que essa estratégia é um “beco sem saída”, pois ignora o princípio da indivisibilidade da segurança, que pressupõe que nenhum
Estado deve fortalecer sua proteção em detrimento da vulnerabilidade alheia. O diplomata reforçou que a posição russa foi comunicada exaustivamente tanto aos americanos quanto aos europeus, que teriam optado por seguir um caminho de confronto em vez de buscar um diálogo construtivo.
O surgimento de um equilíbrio baseado em ameaças mútuas
O vice-ministro alertou que o acúmulo de força militar contra a Rússia resultará inevitavelmente na criação de um potencial de “contraforça” equivalente ou até mais eficaz. Grushko prevê que, se os planos atuais forem mantidos, o cenário internacional abandonará a dissuasão militar razoável para dar lugar a um instável equilíbrio baseado em ameaças e contra-ameaças permanentes. Esse movimento seria uma reação direta ao anúncio conjunto feito por Washington e Berlim em 2024, que prevê a chegada de sistemas de ataque de longo alcance, incluindo tecnologia hipersônica, ao solo alemão até o ano de 2026.
Impulso armamentista e a justificativa alemã
A implantação americana é vista por Berlim não apenas como uma medida de defesa, mas como um catalisador tecnológico. Na época do anúncio, o Ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, justificou que a presença das armas de longo alcance dos EUA serviria para impulsionar a indústria alemã no desenvolvimento de armamentos similares.
Esse movimento de fomento à defesa europeia é justamente o que Moscou aponta como o combustível para a nova corrida armamentista na região, elevando as tensões diplomáticas e militares a níveis não vistos desde o fim da Guerra Fria.


