Reino Unido impõe identificação digital obrigatória para cidadãos e residentes trabalharem em decisão controversa

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O governo britânico, liderado pelo Primeiro-Ministro Keir Starmer, anunciou na sexta-feira (data) que cidadãos e residentes permanentes do Reino Unido terão que apresentar uma identidade digital obrigatória para conseguir emprego. A medida, que retoma uma ideia de longa data e altamente controversa no país, visa dificultar a imigração ilegal e facilitar o acesso a serviços públicos.

Justificativas do governo: imigração e acesso a serviços

O governo argumenta que o novo sistema fortalecerá o controle de fronteiras e combaterá a economia informal, tornando mais difícil para imigrantes ilegais encontrarem trabalho.

Além disso, Starmer afirmou que a identidade digital trará “inúmeros benefícios” aos cidadãos ao permitir que comprovem sua identidade rapidamente para acessar saúde, assistência social, creches e outros serviços essenciais, eliminando a necessidade de “ficar procurando uma conta de luz antiga”.

Uma maquete da carteira de identidade digital de Keir Starmer. Fotografia: Amer Ghazzal/Shutterstock

Histórico de controvérsia e preocupações com a liberdade civil

A Grã-Bretanha não exige carteiras de identidade obrigatórias para cidadãos comuns desde o período pós-Segunda Guerra Mundial. A ideia sempre gerou forte oposição de ativistas dos direitos civis, que a consideram uma violação da liberdade pessoal e um risco à segurança das informações dos indivíduos.

  • Tentativa Anterior: Há duas décadas, o ex-primeiro-ministro Tony Blair tentou introduzir cartões de identificação biométricos para combater o terrorismo e a fraude, mas o plano foi abandonado devido à forte resistência pública e parlamentar.
  • “Não é uma sociedade ‘Documentos, por favor'”: Tim Bale, professor de política, observou que, ao contrário da Europa continental, o Reino Unido historicamente resiste à ideia de identidade obrigatória. No entanto, ele reconheceu que a identidade digital poderia ser “bastante útil” em um mundo onde as pessoas já são forçadas a provar sua identidade em inúmeras situações.

O governo de Starmer enfatizou que as pessoas não terão que portar a identidade digital ou ser paradas para apresentá-la, mas ela será obrigatória para fins de emprego. Os detalhes, incluindo o funcionamento para quem não possui smartphone, serão definidos em uma consulta pública.

Contexto de imigração: combate à travessia do canal da mancha

A medida surge em um momento em que o governo trabalhista, assim como administrações conservadoras anteriores, luta para impedir a travessia de migrantes em pequenos barcos pelo Canal da Mancha.

Starmer prometeu combater as gangues de contrabando e reduzir os “fatores de atração” que levam os migrantes ao Reino Unido, sendo um desses fatores a percepção de facilidade para encontrar trabalho clandestino. Cerca de 37.000 pessoas cruzaram o Canal no ano passado, com mais de 30.000 já registradas este ano.

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