Rebelião na OTAN: Europa ignora Trump e recusa envio de navios ao Estreito de Ormuz
As principais potências europeias decidiram descartar o envio de navios de guerra para o Estreito de Ormuz, ignorando as pressões diretas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder americano havia alertado que a OTAN enfrentaria um “futuro muito ruim” caso seus membros não colaborassem militarmente para reabrir a via navegável, vital para o fluxo de petróleo global e atualmente bloqueada pelo Irã. A recusa conjunta marca um momento de tensão diplomática no eixo transatlântico, especialmente após o início de uma campanha militar liderada por Washington e Israel contra o território iraniano.
O posicionamento alemão e a cautela britânica
Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz foi enfático ao rejeitar qualquer participação militar no estreito, afirmando que a questão de uma contribuição alemã sequer se coloca no momento. Embora Merz defenda o fim do regime iraniano, ele argumentou que bombardeios não são o caminho correto para atingir a submissão de Teerã. O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, reforçou a posição ao questionar a necessidade de fragatas europeias em uma região onde a Marinha dos EUA já possui superioridade absoluta. Enquanto isso, no Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer declarou que não permitirá que o país seja arrastado para uma guerra mais ampla, embora admita estar trabalhando em planos diplomáticos para garantir a estabilidade do mercado energético.
Outros países, como Itália e França, também reiteraram que a diplomacia deve prevalecer. O ministro italiano Antonio Tajani expressou sérias dúvidas sobre a expansão de missões navais defensivas da União Europeia para o Estreito de Ormuz, classificando a ideia como arriscada. Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, confirmou que não houve interesse entre os Estados-membros em alterar o mandato da Operação Aspides para incluir a segurança no estreito. Aliados europeus, incluindo a Estônia e a Grécia, exigem saber quais são os reais “objetivos estratégicos” de Donald Trump antes de qualquer compromisso, temendo que a ausência de um plano claro agrave o conflito regional.
Escalada de ataques e o impacto no Golfo
Enquanto o impasse diplomático continua, a guerra entre Israel e Irã atinge novos patamares de violência. Israel lançou uma “onda de ataques em larga escala” contra infraestruturas em cidades iranianas como Teerã, Shiraz e Tabriz, incluindo a destruição de uma aeronave estratégica no aeroporto de Mehrabad. O conflito já provoca repercussões diretas no Golfo Pérsico; o porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, teve suas operações suspensas após um ataque com drone, e incidentes semelhantes foram relatados perto do aeroporto de Dubai. O mercado global de energia observa com apreensão, já que Fujairah é responsável pelo escoamento de cerca de 1% da demanda mundial de petróleo bruto.
Expansão do conflito e a crise no Líbano
O cenário de instabilidade se estende também ao sul do Líbano, onde Israel expandiu suas operações terrestres contra o Hezbollah. O avanço ocorre após ataques de foguetes contra o território israelense e já resultou em centenas de mortes, incluindo um alto número de crianças. A Alemanha, tradicionalmente uma aliada fiel de Israel, classificou a ofensiva terrestre no Líbano como um “erro” que agrava a crise humanitária local. Em contrapartida, o governo iraniano, por meio de seu chanceler Abbas Araghchi, rejeitou qualquer possibilidade de cessar-fogo imediato, afirmando que a guerra só terminará quando for garantido que agressões futuras não se repitam.