Ramagem depõe por vídeo ao STF após perder imunidade e ser alvo de pedido de extradição
Atualmente foragido em território americano, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (5). A oitiva foi realizada por meio de videoconferência, marcando o primeiro pronunciamento judicial do ex-parlamentar desde sua saída clandestina do Brasil, ocorrida em setembro do ano passado.
O procedimento faz parte da retomada de processos que haviam sido suspensos enquanto Ramagem ainda gozava de foro por prerrogativa de função.
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Reabertura de processos e perda de imunidade
A movimentação judicial ganhou novo fôlego em dezembro, quando o ministro Alexandre de Moraes reabriu ações penais que investigam a participação de Ramagem nos atos de 8 de janeiro de 2023. O foco recai sobre crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, supostamente praticados já durante o seu mandato legislativo.
Anteriormente travada pela Câmara dos Deputados, a ação avançou após a Mesa Diretora da Casa cassar o mandato do ex-parlamentar, resultando na perda definitiva de sua imunidade.
Condenação e núcleo central da trama golpista
Vale lembrar que o ex-diretor-geral da Abin já possui uma condenação expressiva imposta pela Primeira Turma do STF. Em setembro de 2025, ele foi sentenciado a 16 anos, um mês e 15 dias de reclusão. Ramagem foi apontado como peça do “núcleo crucial” de uma tentativa de golpe de Estado, figurando ao lado de Jair Bolsonaro e alta cúpula militar.
Entre os crimes que fundamentam sua pena estão a organização criminosa armada e a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Fuga clandestina e pedido de extradição
As investigações da Polícia Federal revelam que a saída de Ramagem do país ocorreu de forma ilegal, atravessando a fronteira com a Guiana pelo estado de Roraima. Uma vez fora do Brasil, ele teria utilizado seu passaporte diplomático para ingressar nos Estados Unidos.
Diante da situação de foragido, o governo brasileiro confirmou no final de janeiro que já formalizou o pedido de extradição junto às autoridades americanas, cumprindo a determinação expedida pelo ministro Alexandre de Moraes.


