Preço do diesel sobe forte devido a guerra no Oriente Médio e gera alerta sobre impacto na inflação brasileira

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O mercado de combustíveis no Brasil registrou uma forte pressão inflacionária nos primeiros dias de março, com o óleo diesel apresentando altas superiores a 7%. De acordo com o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que monitora dados de 21 mil postos em todo o território nacional, o valor médio do diesel S-10 saltou de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro, representando um avanço de 7,72%.

O diesel comum acompanhou a tendência com alta de 6,10%, atingindo o patamar de R$ 6,52. Embora a Agência Nacional do Petróleo (ANP) tenha registrado variações mais conservadoras em seu último balanço oficial, o setor privado já sinaliza um repasse imediato da volatilidade internacional para as bombas.

Conflitos no Oriente Médio e reflexos na cadeia logística

A escalada de preços é atribuída diretamente à instabilidade geopolítica envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou no fechamento estratégico do Estreito de Ormuz — via fundamental por onde circula mais de 20% do petróleo global. Vinicios Fernandes, diretor da Edenred Mobilidade, explica que o diesel é o primeiro a sentir os reflexos de altas no barril de petróleo, que chegou a encostar na marca de US$ 120 antes de estabilizar na casa dos US$ 90.

Além do custo, há sinais de alerta quanto ao abastecimento: alguns postos já relatam dificuldades pontuais na reposição de estoques, o que pode indicar uma oferta restrita caso as limitações logísticas no exterior persistam.

Investigações e medidas de contenção de preços

O cenário de aumentos antecipados, ocorridos mesmo sem um reajuste oficial nas refinarias pela Petrobras, despertou a atenção das autoridades federais. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar possíveis irregularidades no repasse de preços ao consumidor final. Em uma tentativa de frear a crise energética global, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a liberação histórica de 400 milhões de barris de reservas de emergência por seus países-membros. A medida visa aumentar a oferta no mercado e arrefecer a curva de preços que ameaça impulsionar a inflação interna.

Disparidades regionais e extremos de preços

O levantamento detalhado por regiões revela que o Nordeste foi a área mais impactada pela alta, com o diesel S-10 subindo 13,17% e alcançando a média de R$ 7,22 por litro. No ranking por estados, os extremos de preços evidenciam as dificuldades logísticas de cada localidade: enquanto Rondônia registrou o valor mais alto para o diesel S-10 no país, chegando a R$ 7,90, a Paraíba manteve a média mais baixa, em R$ 6,26.

No caso do diesel comum, Roraima lidera com o preço mais elevado (R$ 7,84), contrastando com os R$ 6,23 praticados em Pernambuco, refletindo as complexas variações de frete e distribuição em meio à crise atual.

Rovena Rosa/Agência Brasil

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