Porta-aviões americano é alvo de bombardeio do Irã em retaliação a naufrágio de destróier

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A tensão militar entre Teerã e Washington atingiu um novo patamar crítico nesta quarta-feira. De acordo com informações divulgadas pela agência de notícias estatal Fars, mísseis de cruzeiro costeiro-marítimo disparados pelas forças iranianas teriam atingido o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln. O gabinete de relações públicas do Exército do Irã confirmou o impacto, enquanto a agência Mehr detalhou que o ataque foi realizado por mísseis do modelo Qadir, pertencentes à Marinha iraniana, forçando o grupo de ataque dos Estados Unidos a realizar uma manobra de emergência para mudar sua posição estratégica na região.

O comando militar iraniano acompanhou o anúncio com a divulgação de imagens que supostamente registram o momento da ofensiva. Segundo as autoridades locais, a ação faz parte de uma estratégia de “controle inteligente” do Estreito de Ormuz e de uma vigilância rigorosa sobre frotas classificadas como hostis que operam ao norte do paralelo 10. O governo iraniano reforça que a operação não é apenas uma demonstração de força, mas uma resposta direta à presença militar estrangeira em águas que consideram sob sua soberania absoluta.

Retaliação e a memória do destróier Dena

O Almirante Shahram Irani, comandante da Força Naval da República Islâmica, declarou que as forças sob seu comando mantêm uma “resolução inabalável” e que não interromperão as operações até que o sangue de seus “mártires” seja vingado. O discurso do alto comando vincula o ataque ao USS Abraham Lincoln a um episódio ocorrido em 4 de março, quando o destróier iraniano Dena foi atacado por um submarino dos Estados Unidos, resultando na morte de marinheiros iranianos. A memória desses militares tem sido utilizada para galvanizar as tropas e justificar a escalada das hostilidades.

Em tom de desafio, o Almirante comparou a resistência de sua frota à firmeza do Monte Dena, afirmando que a Marinha permanecerá como um obstáculo constante aos interesses americanos na região. Para o alto comando iraniano, a postura das forças navais busca posicionar o país como um defensor dos “oprimidos” e uma barreira contra o que definem como agressões externas, elevando o tom patriótico em meio ao cenário de guerra iminente.

Monitoramento constante e ameaça de novos ataques

A estratégia iraniana para os próximos dias envolve o monitoramento ininterrupto de cada movimento do grupo naval liderado pelo USS Abraham Lincoln. As autoridades navais do Exército da República Islâmica alertaram que os sistemas de mísseis permanecem em prontidão máxima. Segundo o comunicado oficial, assim que qualquer unidade da frota considerada hostil entrar novamente no raio de alcance das defesas costeiras, será alvo de novos ataques descritos como “devastadores”.

Este cenário coloca a navegação no Estreito de Ormuz — um dos pontos de estrangulamento mais vitais para o comércio global de energia — em uma situação de risco extremo. A insistência do Irã em exercer o que chama de “soberania marítima absoluta” confronta diretamente a política de livre navegação defendida pelos Estados Unidos e seus aliados, sinalizando que a estabilidade na região depende agora de um frágil equilíbrio entre a retaliação militar e os esforços diplomáticos de bastidores

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Igor do Vale/Estadão Conteúdo

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