População do Reino Unido precisa estar pronta para lutar contra a Rússia, alerta chefe das forças armadas britânicas

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Em uma intervenção contundente e incomum, o Marechal do Ar Sir Richard Knighton, chefe das forças armadas do Reino Unido, emitiu um alerta sobre o risco crescente de um ataque russo e a necessidade de a nação se preparar para o combate. Ele enfatizou que, embora as Forças Armadas e a OTAN sejam a primeira linha de defesa, a sociedade inteira precisa reconstruir sua resiliência.

Sir Richard Knighton declarou que a situação atual é “mais perigosa do que qualquer outra que eu tenha visto em minha carreira, e o preço da paz está aumentando”. O militar ressaltou a importância de ser honesto com as famílias britânicas sobre o que significa estar pronto para enfrentar “uma série de ameaças físicas reais”.

Segundo ele, a resposta a essa ameaça deve ser um esforço de “toda a nação”, que vá além do simples fortalecimento das Forças Armadas. Isso inclui o desenvolvimento da capacidade industrial de defesa, o aprimoramento de habilidades essenciais, o aproveitamento do poder das instituições e o aumento da resiliência social e da infraestrutura.

O Marechal do Ar foi direto ao afirmar que todos os cidadãos terão um papel: “Filhos e filhas. Colegas. Veteranos… todos terão um papel a desempenhar.” Ele concluiu: “Construir. Servir. E, se necessário, lutar.”

Ameaça crescente e experiência de combate da Rússia

O chefe da defesa indicou que, embora a probabilidade de um “ataque direto ou invasão significativa” russa contra o Reino Unido seja considerada remota (estimada em até 5% pelos analistas), isso “não significa que as chances sejam zero”. O que importa, segundo ele, é a tendência, e as evidências mostram que, particularmente na Rússia, a situação está “piorando”.

Ele apontou que o poderio militar russo está crescendo rapidamente. Nos últimos 20 anos, a Rússia investiu pesadamente em suas Forças Armadas, que agora contam com mais de 1,1 milhão de efetivos e consomem cerca de 40% dos gastos governamentais. Além disso, as tropas russas estão agora endurecidas em combate após quase quatro anos de guerra em grande escala na Ucrânia.

“Não devemos ter ilusões de que a Rússia possui um exército enorme, cada vez mais sofisticado tecnicamente e, agora, com vasta experiência em combate”, alertou o militar.

Desigualdade de recursos e ambições russas

Em contraste com os mais de um milhão de soldados russos, o exército do Reino Unido tem pouco mais de 70.000 soldados. Enquanto a Rússia compromete mais de 7% do seu PIB com defesa, o Reino Unido se comprometeu a aumentar os gastos para apenas 2,5% do PIB até 2027. O Marechal do Ar destacou a diferença, notando que aliados como Alemanha e Polônia planejam gastos de defesa de 3,5% e 4,2% do PIB, respectivamente.

Além da disparidade de recursos, o chefe militar enfatizou que a Rússia está desenvolvendo novos sistemas de armas desestabilizadores, incluindo mísseis e torpedos com ogivas nucleares. Ele concluiu que o poderio militar russo é “algo a temer” e sua disposição de atacar países vizinhos, como visto na Ucrânia, demonstra que ela “deseja desafiar, limitar, dividir e, em última instância, destruir a OTAN”.

Sir Richard Knighton observou que, devido à paz de quase 35 anos desde o fim da Guerra Fria, a maioria dos britânicos não tem mais experiência com as Forças Armadas, citando o 65º aniversário da última convocação para o serviço militar obrigatório. Ele indicou que o tipo de resiliência e defesa nacional que era natural na sociedade britânica antes do colapso da União Soviética precisa ser retomado.

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