Poderoso ataque de mísseis russos na Ucrânia destrói lares e corta energia de milhares sob frio de -22°C
A Ucrânia enfrentou uma das mais violentas ondas de ataques aéreos neste domingo, marcando o prelúdio sombrio para o quarto aniversário da invasão em larga escala de Vladimir Putin, que ocorre nesta terça-feira. O Kremlin mobilizou um arsenal de 297 drones e quase 50 mísseis, atingindo alvos civis e infraestruturas críticas em todo o país.
Em Kiev, o impacto de um míssil destruiu completamente uma residência particular, enquanto equipes de resgate vasculhavam escombros em busca de sobreviventes. O presidente Volodymyr Zelenskyy reiterou que Moscou segue priorizando o investimento em destruição em vez da diplomacia.
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Sobrevivência sob zero: a guerra contra a energia
A estratégia russa de focar na rede elétrica deixou mais de meio milhão de pessoas sem luz na capital, em meio ao inverno mais rigoroso dos últimos anos, com temperaturas atingindo -22°C. Cidades como Odessa e Kharkiv também foram alvos sistemáticos, afetando não apenas a eletricidade, mas a logística ferroviária e o abastecimento de água municipal.
Relatos de moradores descrevem um cenário de congelamento absoluto, onde a população civil tenta proteger o básico da sobrevivência enquanto a infraestrutura vital desmorona sob o bombardeio constante.
Impasse geopolítico e chantagem energética
Enquanto lida com a ofensiva russa, a Ucrânia enfrenta uma crise diplomática com seus vizinhos, Eslováquia e Hungria. Ambos os países ameaçam retaliar Kiev devido a interrupções no fornecimento de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano.
Budapeste sinalizou o bloqueio de novas sanções da União Europeia contra Moscou, enquanto Bratislava ameaça cortar o fornecimento emergencial de energia para a Ucrânia já nesta segunda-feira. Kiev sustenta que danos no oleoduto foram causados por drones russos, mas os vizinhos acusam o governo de Zelenskyy de agir com “malícia” nos reparos.
Em Lviv, uma explosão em uma rua comercial central está sendo tratada pelas autoridades como um ato terrorista coordenado por Moscou. O ataque, que utilizou bombas sequenciais planejadas para atingir socorristas que chegavam ao local, resultou na morte de um policial e deixou dezenas de feridos.
Apesar do cenário devastador e dos quatro anos de conflito, Zelenskyy afirma que a Ucrânia “definitivamente não está perdendo”, citando reconquistas territoriais recentes no sul. Enquanto isso, em Roma, o Papa Leão XIV descreveu a paz como uma “necessidade urgente”, apelando por um cessar-fogo imediato antes que o conflito entre em seu quinto ano.


