Oposição une deputados e senadores e protocola CPMI do Banco Master

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A oposição ao governo Lula deu um passo decisivo nesta terça-feira (3) ao protocolar o requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o Banco Master. O documento, de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), conta com um apoio robusto: 238 deputados e 42 senadores subscreveram o pedido.

Entre os signatários, destaca-se o senador Fabiano Contarato (ES) como o único representante do PT a apoiar a iniciativa, que foca em supostas fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões.

Foco das investigações e suposto prejuízo bilionário

O escopo da CPMI abrange a apuração de ativos supostamente inexistentes, falsificação de contratos e manipulações contábeis. Um dos pontos centrais da investigação é a tentativa de transferência de passivos para o Banco de Brasília (BRB), uma instituição estatal, o que poderia gerar danos severos ao patrimônio público.

Segundo o deputado Carlos Jordy, a complexidade e os valores envolvidos no caso superariam as proporções da Operação Lava Jato, citando indícios de desestabilização no sistema financeiro e irregularidades em fundos de investimento ligados à instituição.

A investigação também pretende lançar luz sobre contratos envolvendo familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O requerimento menciona um contrato milionário de prestação de serviços advocatícios entre o Banco Master e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Outra frente de apuração envolve fundos de investimento ligados ao banco que teriam adquirido participações em um resort pertencente a irmãos do ministro Dias Toffoli. A CPMI buscará entender se houve qualquer tipo de interferência ou omissão de agentes públicos e autoridades reguladoras, como o Banco Central, nesses processos.

Estratégia política e a disputa pelas CPIs

A escolha pelo modelo de comissão mista (CPMI) é uma manobra estratégica da oposição para acelerar as investigações. Diferente das comissões exclusivas de uma única Casa, a CPMI permite “driblar” a fila de requerimentos parados na Câmara e no Senado, dificultando manobras de bloqueio por parte de lideranças governistas e do Centrão.

Enquanto a oposição aguarda a leitura do requerimento pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, o governo tenta se antecipar com uma CPI própria na Câmara, de autoria de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), focada especificamente nos pagamentos feitos pelo BRB ao Master no primeiro semestre de 2025.

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