Operação Fallax: PF mira CEO do Grupo Fictor em esquema de R$ 500 milhões

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), a “Operação Fallax”, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e fraudes bancárias bilionárias contra a Caixa Econômica Federal. Entre os principais alvos da ofensiva está Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, que teve endereços na capital paulista visitados por agentes federais para o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

A investigação também atinge Luiz Rubini, ex-sócio do grupo, que além das buscas, teve o sigilo bancário quebrado por determinação da Justiça Federal. O esquema sob investigação movimentou mais de R$ 500 milhões e revela uma conexão alarmante: o mesmo mecanismo de lavagem de dinheiro utilizado pelo grupo empresarial também servia aos interesses da facção criminosa Comando Vermelho.

Detalhes das prisões e o papel de funcionários bancários

A operação possui uma escala nacional, mobilizando agentes para cumprir 43 mandados de busca e 21 de prisão preventiva em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Até o início da manhã, 13 pessoas já haviam sido detidas, incluindo dois gerentes da Caixa Econômica Federal. A participação de funcionários internos era peça-chave na engrenagem ilícita, pois eles inseriam dados falsos nos sistemas bancários para facilitar saques e transferências indevidas.

Após o desvio, os valores passavam por um complexo processo de ocultação por meio de empresas de fachada e estruturas corporativas reais. Para dificultar o rastreamento pelas autoridades, o montante era convertido em criptoativos e bens de luxo. Como medida de contenção, a Justiça determinou o sequestro de imóveis, veículos e o bloqueio de ativos financeiros que somam R$ 47 milhões, além da quebra de sigilo de 172 empresas e 33 pessoas físicas.

Histórico de crises e a defesa dos citados

O Grupo Fictor já vinha enfrentando um cenário turbulento antes da operação de hoje. Em novembro do ano passado, a empresa anunciou uma polêmica tentativa de compra do Banco Master, envolvendo investidores árabes e cifras de R$ 3 bilhões, pouco antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição. O episódio gerou uma crise de reputação severa, com resgates em massa que forçaram a Fictor Holding e a Fictor Invest a entrarem com pedidos de recuperação judicial.

Em nota oficial, a defesa de Rafael de Gois confirmou a diligência em sua residência e informou que apenas um aparelho celular foi apreendido pelos agentes. Os advogados ressaltaram que, assim que tiverem acesso integral ao conteúdo do inquérito, prestarão todos os esclarecimentos necessários às autoridades para elucidar os fatos.

Implicações jurídicas e crimes investigados

As investigações da PF, iniciadas em 2024, apontam para uma estrutura profissional dedicada à obtenção de vantagens ilícitas mediante a cooptação de agentes financeiros. Com o apoio da Polícia Militar de São Paulo, a operação busca encerrar as atividades do grupo que agora responde por uma série de delitos graves.

Os envolvidos podem ser condenados por organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato qualificado, gestão fraudulenta, além de corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. Caso sejam considerados culpados em todas as instâncias, as penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão.

Igor do Vale/Estadão Conteúdo

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