Nova era atômica: China acelera expansão de complexos nucleares após fim de pacto mundial
Relatórios recentes indicam que a China está promovendo uma ampla reforma e ampliação de suas instalações ligadas ao programa de armas nucleares. O movimento ocorre em um momento crítico para a diplomacia internacional, marcado pelo fim do último tratado global que limitava esses armamentos.
Esse vácuo regulatório intensifica os temores de uma nova corrida armamentista entre as potências mundiais, com Pequim modernizando infraestruturas estratégicas especialmente na província de Sichuan.
O fim da era dos tratados de controle
A instabilidade no cenário global foi acentuada pela expiração do Novo START no início deste mês. Como o único acordo remanescente que impunha limites às armas nucleares de longo alcance entre Estados Unidos e Rússia — que juntos detêm 90% do arsenal mundial —, sua ausência deixa o campo aberto para expansões sem precedentes. Embora o arsenal chinês atual seja estimado em 600 ogivas, projeções do Pentágono sugerem que o país pode ultrapassar a marca de mil unidades operacionais até o ano de 2030.
Modernização tecnológica e infraestrutura em Sichuan
Análises de inteligência geoespacial revelam que a atividade em locais estratégicos, como a região de Pingtong, acelerou significativamente a partir de 2019. Imagens de satélite mostram obras em complexos destinados à produção de núcleos de ogivas e ao manuseio de materiais de alta periculosidade.
Além disso, surgiram evidências da construção de um centro de pesquisa de fusão a laser em Mianyang, tecnologia que permite simular o funcionamento de bombas nucleares e aprimorar projetos bélicos sem a necessidade de realizar testes reais de explosão.
Aumento da capacidade naval e nuclear
O avanço chinês não se limita às ogivas. O país também desenvolveu um protótipo de reator nuclear destinado ao seu primeiro porta-aviões de propulsão nuclear, unindo o fortalecimento de suas forças navais à capacidade atômica. Para especialistas ocidentais, o ritmo desse desenvolvimento depende diretamente da capacidade de Pequim em processar plutônio, urânio enriquecido e trítio.
Enquanto os EUA, sob a gestão de Donald Trump, sinalizam o desejo de incluir a China em futuros acordos de limitação, o governo chinês mantém a relutância em aceitar restrições ao seu programa.
Tensões diplomáticas e acusações de sigilo
O cenário de desconfiança é alimentado pela falta de transparência. Thomas DiNanno, subsecretário de Estado dos EUA para o Controle de Armas, afirmou recentemente que a China busca construir um arsenal equivalente ao das superpotências tradicionais, operando sob forte sigilo e sem aderir a limitações internacionais. DiNanno chegou a acusar Pequim de realizar testes nucleares explosivos clandestinos, violando tratados de 1996.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da China classificou as alegações americanas como infundadas, negando qualquer irregularidade em suas atividades de defesa.


