Mortes escalam no Irã: Trump incentiva iranianos a tomarem o poder e avisa que abusadores ‘pagarão caro’
A tensão no Irã atingiu um novo patamar nesta terça-feira, com relatos conflitantes sobre a escala da letalidade na repressão aos protestos que tomam o país. Enquanto um funcionário do governo iraniano confirmou à Reuters a morte de cerca de 2.000 pessoas — atribuindo a responsabilidade a supostos “terroristas” —, veículos de oposição e organizações internacionais sugerem que o balanço real pode ser drasticamente superior, evidenciando uma das crises mais sangrentas da história recente da República Islâmica.
A contagem de vítimas tornou-se o centro de uma guerra de narrativas. A organização Iran Human Rights (IHR) confirmou 648 óbitos, mas alertou que projeções internas indicam mais de 6.000 mortes. Paralelamente, o portal Iran International divulgou um número ainda mais alarmante: pelo menos 12.000 mortos.
Segundo o veículo, a repressão teria sido coordenada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) sob ordens diretas da liderança suprema. O governo, por sua vez, mantém a tese de que forças de segurança e civis foram alvos de grupos armados estrangeiros, justificando o apagão total da internet como medida de segurança nacional.
A ofensiva de Trump
O cenário de instabilidade no Irã recebeu novas e contundentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante um discurso no Detroit Economic Club, o líder americano manifestou apoio direto aos manifestantes que participam da onda de protestos antigovernamentais no país persa.
Trump classificou os cidadãos iranianos como “patriotas” e os incentivou a manter a resistência e a retomar o controle das instituições nacionais, enfatizando que a violência empregada pelo regime não passará despercebida pela comunidade internacional.
Como medida imediata de retaliação à repressão violenta, o presidente anunciou o cancelamento de todas as agendas e reuniões previstas com representantes do governo iraniano. Segundo Trump, o diálogo diplomático permanecerá suspenso até que os “assassinatos sem sentido” de manifestantes sejam interrompidos.
O presidente destacou a gravidade dos relatos sobre abusos de direitos humanos e mortes, afirmando que, independentemente da divergência nas estatísticas oficiais, qualquer perda de vida no conflito é inaceitável.
A estratégia da Casa Branca também avançou para o campo econômico com a entrada em vigor de novas tarifas comerciais. Trump confirmou que qualquer nação ou entidade que realize negócios com o Irã enfrentará barreiras tarifárias severas, uma medida que visa isolar financeiramente o regime. Ao utilizar uma variação de seu conhecido slogan, afirmando que deseja “tornar o Irã grande novamente”, o presidente criticou duramente a atual liderança do país, a quem chamou de “monstros” que tomaram o controle de uma nação historicamente relevante.
Alerta aos agentes da repressão
Além das medidas oficiais, Trump utilizou suas plataformas digitais, como o Truth Social, para enviar um aviso direto às forças de segurança iranianas. O presidente instou os manifestantes a documentarem as identidades daqueles que cometem abusos e assassinatos, assegurando que os responsáveis “pagarão um preço alto” futuramente. A promessa de que a “ajuda está a caminho” reforça a postura intervencionista dos EUA na crise, sinalizando que Washington pretende desempenhar um papel ativo no desdobramento do levante popular.
Pressão diplomática e ameaça de novas sanções
A resposta internacional foi imediata e severa. A União Europeia, por meio da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que proporá novas sanções contra os responsáveis pela violência, classificando o uso da força como “assustador”. No âmbito das Nações Unidas, o Alto Comissário Volker Turk exigiu o fim do “ciclo de violência horrível” e expressou profunda preocupação com a possibilidade de execuções em massa entre os milhares de manifestantes detidos pelas autoridades iranianas.
O posicionamento da Alemanha e o futuro do regime
Em uma das declarações mais contundentes até o momento, o chanceler alemão Friedrich Merz previu, durante visita oficial à Índia, que o regime iraniano pode estar em seus “últimos dias e semanas”. Para Merz, a perda de legitimidade e a dependência exclusiva da violência indicam o esgotamento do sistema atual.
O líder alemão afirmou estar em consultas com os Estados Unidos e aliados europeus para articular uma transição pacífica rumo a um governo democrático, embora tenha evitado comentar as complexas relações comerciais que ainda vinculam Berlim a Teerã.
Tensões geopolíticas e o fator econômico
O cenário é agravado pela retórica de potências externas. Enquanto o Irã acusa Estados Unidos e Israel de orquestrarem a desordem, Washington alterna o apoio ao movimento popular com ameaças de intervenção militar. No campo econômico, a pressão aumentou após o presidente Donald Trump sinalizar que países que mantenham trocas comerciais com o Irã poderão enfrentar tarifas de 25% em suas transações com os EUA. Dentro do Irã, a crise iniciada por questões econômicas transformou-se em um levante político que agora desafia a própria sobrevivência da estrutura de poder vigente.


