Moraes voou 8 vezes em jatos de empresas de Vorcaro, diz jornal

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Uma reportagem da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, trouxe à tona registros de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, utilizaram aeronaves vinculadas ao empresário Daniel Vorcaro. O banqueiro, proprietário do Banco Master, é alvo de investigações na própria Suprema Corte por suspeitas de fraudes financeiras. O levantamento aponta que o casal teria realizado ao menos oito viagens entre maio e outubro do ano passado em jatos executivos operados pela Prime Aviation, empresa de compartilhamento de luxo da qual Vorcaro detinha participação societária por meio de um fundo patrimonial.

A descoberta das viagens foi fruto de um trabalho de auditoria de dados realizado pelo jornal, que cruzou informações de três bases distintas para confirmar as rotas e os prefixos das aeronaves. Foram analisados registros da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) e informações de tráfego do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), vinculado à Aeronáutica. Esse mapeamento permitiu identificar que sete dos oito voos registrados ocorreram em aeronaves da frota gerida pela empresa de Vorcaro, estabelecendo uma conexão logística entre a rotina do ministro e a estrutura de transporte do investigado.

Defesa de Moraes contesta veracidade das informações

Em resposta às revelações, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes emitiu uma nota contundente, classificando o conteúdo da reportagem como “fantasioso” e negando categoricamente qualquer irregularidade. O ministro afirmou que jamais viajou em aeronaves de propriedade direta de Daniel Vorcaro e ressaltou que não possui qualquer tipo de relação pessoal com o banqueiro ou com o empresário Fabiano Zettel, mencionando inclusive que nem sequer os conhece. A defesa institucional de Moraes argumenta que as ilações apresentadas na matéria não possuem lastro na realidade dos fatos.

Por outro lado, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes confirmou a utilização dos serviços da Prime Aviation, mas apresentou uma justificativa comercial para os deslocamentos. Segundo a nota da banca, a contratação de táxis aéreos é uma prática comum para o exercício da profissão e que, em nenhuma das ocasiões, Vorcaro ou Zettel estavam presentes nos voos. O escritório detalhou ainda que os custos das viagens eram quitados mediante a compensação de honorários advocatícios previstos em contrato, assegurando a legalidade das transações financeiras envolvidas nas operações de transporte.

Conexões financeiras e mensagens sob suspeita

Além da questão dos voos, a reportagem destaca outros vínculos entre a família do magistrado e o dono do Banco Master. O escritório de Viviane Barci manteria um contrato de valor milionário com a instituição financeira de Vorcaro, o que amplia o debate sobre possíveis conflitos de interesse. Outro ponto sensível mencionado envolve a suposta troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro no dia em que este foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado, elemento que adiciona uma camada de complexidade às investigações sobre a proximidade entre membros da cúpula do Judiciário e figuras investigadas pelo sistema financeiro.

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