Moraes encontrou-se com presidente do BRB na mansão de dono do Banco Master, diz site
Novas informações publicadas pelo portal Metrópoles nesta terça-feira (27) detalham encontros do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na residência do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em Brasília.
Segundo a colunista Andreza Matais, o magistrado teria frequentado o local em pelo menos duas ocasiões distintas. Em uma delas, ocorrida no primeiro semestre de 2025, Moraes teria conhecido Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília (BRB).
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Relatos de quatro testemunhas presentes no encontro indicam que Vorcaro convocou o chefe do BRB à sua mansão sob o argumento de que “o homem estava lá”. Ao chegar, Costa foi conduzido a um ambiente reservado onde Moraes se encontrava acompanhado de um assessor. Naquele período, o Banco Master estava em processo de negociação para ser adquirido pelo BRB, tema que teria sido discutido entre o ministro e o executivo durante a reunião.
A apuração do Metrópoles aponta que as visitas não se limitaram ao encontro com o presidente do BRB. O ministro teria utilizado a mesma área reservada da mansão de Vorcaro para acompanhar a apuração das eleições presidenciais norte-americanas, em 6 de novembro de 2024.
De acordo com fontes ouvidas pelo portal, a ocasião foi marcada pelo consumo de vinhos raros e charutos. O empresário Daniel Vorcaro é conhecido por sua vasta coleção de bebidas de luxo.
Apesar da articulação política e do apoio público do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), à compra do Master pelo BRB, a transação enfrentou forte resistência técnica. Especialistas do mercado e auditores do Banco Central alertaram para riscos elevados, recomendando a liquidação da instituição financeira, medida que foi formalizada em 18 de novembro de 2025. Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro omitiu as visitas de Moraes, mencionando apenas o governador Ibaneis Rocha como frequentador de sua casa.
Conflitos de interesse e a postura da presidência do STF
O envolvimento de membros da Corte no caso Master tem gerado controvérsias adicionais. O portal Metrópoles recorda que o Banco Master contratou o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes por R$ 129 milhões em 2024. O ministro, em nota, negou qualquer atuação para interferir na liquidação do banco.
Paralelamente, a relatoria do caso está com o ministro Dias Toffoli, cujos familiares teriam mantido vínculos comerciais com sócios ligados a Vorcaro, o que motivou questionamentos sobre sua isenção.
Diante da pressão crescente, o presidente do STF, Edson Fachin, manifestou-se em entrevista ao jornal “O Globo”. Fachin garantiu que não ficará “de braços cruzados” caso as irregularidades cheguem ao colegiado.
O presidente ressaltou que, embora a nota institucional emitida pela Corte tenha defendido a regularidade dos sorteios e procedimentos, o tribunal não está imune a críticas e que eventuais suspeições serão apreciadas pela Segunda Turma do STF, seguindo o regimento interno.
Defesa de um Código de Conduta para o Supremo
Além de comentar o caso específico, Edson Fachin defendeu a implementação de um código de conduta estrutural para os ministros da Corte. O presidente argumentou que o STF possui maturidade institucional para adotar regras claras de transparência, especialmente em relação a atividades extrajudiciais, como palestras.
Fachin sugeriu que informações sobre patrocinadores, organizadores e possíveis pagamentos por eventos devem ser tratadas de forma institucional e não casuística. Para o ministro, a criação de normas duradouras sobre o comportamento dos magistrados é essencial para fortalecer a legitimidade do tribunal perante a sociedade e evitar que respostas a crises sejam vistas como improvisadas.


