“Momento grave”: chefe da ONU alerta para risco nuclear recorde após fim do tratado New START

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O cenário da segurança global sofreu um revés histórico nesta quinta-feira com a expiração oficial do Novo START, o último tratado de controle de armas nucleares ainda vigente entre Estados Unidos e Rússia. O encerramento do pacto remove as amarras sobre os arsenais das duas maiores potências nucleares do planeta, despertando o temor imediato de uma nova corrida armamentista.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o momento como “grave”, alertando que, pela primeira vez em mais de meio século, o mundo não possui limites vinculativos para as armas estratégicas de Washington e Moscou, que juntas detêm mais de 80% do estoque global de ogivas.

Riscos de escalada e tensões diplomáticas

A dissolução do acordo ocorre em um contexto de instabilidade aguda, exacerbada pela guerra na Ucrânia e por retóricas anteriores sobre o uso de armas táticas. Guterres enfatizou que o risco de utilização de armamento nuclear atingiu seu patamar mais alto em décadas, instando ambas as nações a retornarem à mesa de negociações para formular um sucessor ao tratado de 2010.

A queda do Novo START também coloca em xeque o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), uma vez que o compromisso de desarmamento das potências é um pilar para que nações sem armas nucleares aceitem não desenvolvê-las.

O legado de Praga e a paralisia política

Originalmente assinado em Praga por Barack Obama e Dmitry Medvedev, o Novo START impunha um teto de 1.550 ogivas estratégicas para cada lado. Hoje, os dois ex-líderes manifestam preocupação: enquanto Medvedev alerta para o alarme global, Obama destaca que o fim das restrições torna o mundo inerentemente menos seguro.

Embora a gestão de Joe Biden tenha conseguido uma extensão de cinco anos logo após sua posse, o diálogo técnico foi congelado pelas tensões diplomáticas. Críticos e observadores apontam que a incapacidade de renovação também reflete um esvaziamento da diplomacia de carreira e a falta de prioridade em negociações complexas durante períodos de transição política.

A postura das potências e o fator China

Enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirma que não se sente mais vinculado a obrigações simétricas, prometendo agir com “prudência” mas ameaçando contramedidas decisivas se provocado, os EUA sinalizam uma mudança de foco.

O secretário de Estado, Marco Rubio, reiterou a posição da administração de que qualquer futuro acordo precisa, obrigatoriamente, incluir a China. Pequim tem expandido rapidamente seu arsenal, contando atualmente com cerca de 550 lançadores estratégicos.

Diante do impasse, até o Papa Leão XIV interveio, fazendo um apelo moral para que os líderes não abandonem os instrumentos de controle em favor de uma nova e perigosa competição militar.

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