Ministro Mendonça amplia força no STF com casos Master e INSS e reforça gabinete para investigações
A trajetória recente do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF) desenha um cenário de contrastes marcantes. Conforme reportagem do jornal O Globo, o ministro consolidou um papel central ao assumir a relatoria de processos de alto impacto, como o caso do Banco Master e as investigações de fraudes no INSS. No entanto, a recente derrota por 8 a 2 no julgamento que barrou a prorrogação da CPI das aposentadorias evidenciou que, embora estratégico, seu avanço encontra limites nítidos quando esbarra em temas que exigem maiorias amplas ou que tensionam a relação entre o Judiciário e o Congresso.
Dentro dos bastidores da Corte, o revés na CPI foi interpretado como um recado direto da maioria dos magistrados. Fontes ouvidas pelo jornal ponderam, contudo, que o episódio não anula a influência que Mendonça acumulou. Como relator de inquéritos sensíveis, ele adquiriu a capacidade de ditar o ritmo de debates cruciais e impor um cronograma próprio às investigações, posicionando-se como uma peça-chave no xadrez político-judiciário brasileiro. Esse novo perfil, mais assertivo e menos discreto que no início de seu mandato, indica um teste constante dos limites da magistratura e um esforço para fortalecer a autonomia da Polícia Federal frente à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Reforço técnico e blindagem investigativa
Para sustentar o volume de processos complexos e evitar desgastes, o gabinete de Mendonça passou por uma reestruturação significativa. A equipe agora conta com o apoio de delegados da Polícia Federal, cedidos integralmente para auxiliar na análise de provas e na organização do fluxo de informações. Segundo informações publicadas pelo O Globo, o gabinete também recebeu o reforço de novos juízes auxiliares e servidores que anteriormente trabalhavam com o ministro Luís Roberto Barroso, aposentado em 2025. O aval para esse remanejamento partiu do atual presidente da Corte, Edson Fachin, visando dar maior vazão técnica aos inquéritos de alta exposição política.
Alianças estratégicas e o embate com o decano
No tabuleiro interno do STF, Mendonça busca firmar pontos de apoio para viabilizar suas teses. Atualmente, ele encontra convergência em ministros como Edson Fachin, interessado na estabilidade institucional, e Luiz Fux, que foi seu único aliado no voto sobre a CPI. Há também a expectativa de que a ministra Cármen Lúcia possa atuar como aliada em temas específicos, compartilhando a visão de que investigações rigorosas sobre o setor financeiro são benéficas para a imagem do tribunal perante a opinião pública.
Contudo, essa articulação enfrenta a resistência frontal do decano Gilmar Mendes. O embate entre os dois tornou-se explícito durante o julgamento da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, quando Mendes criticou duramente o uso de “conceitos elásticos” e juízos morais para fundamentar decisões judiciais. O tom subiu ainda mais na sessão sobre a CPI do INSS, na qual Gilmar classificou a gestão de dados sigilosos como um “crime coletivo”. O episódio reforçou o isolamento de Mendonça em temas regimentais e revelou uma disputa profunda sobre o papel do STF em investigações de alta carga política, sinalizando que a disputa pela condução desses casos está longe de um desfecho.