Mão invisível de Putin: Reino Unido revela que Rússia comanda táticas de drones do Irã
O secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, afirmou que a estratégia militar iraniana no atual conflito carrega a “mão invisível” do presidente russo, Vladimir Putin. A declaração surge após uma noite de ofensivas com drones contra uma base ocidental em Erbil, no norte do Iraque. De acordo com informações do centro de comando em Northwood, oficiais britânicos identificaram que pilotos de drones do Irã e de seus aliados estão adotando táticas de voo e combate idênticas às utilizadas pela Rússia na guerra da Ucrânia.
O tenente-general Nick Perry explicou que essa cooperação técnica tem se mostrado um desafio para as forças ocidentais. Os pilotos iranianos passaram a operar os drones Shahed em altitudes muito mais baixas, o que aumenta a eficácia dos impactos e dificulta a interceptação. Estima-se que Teerã já tenha lançado mais de 2.000 dessas aeronaves não tripuladas em resposta à ofensiva liderada por Israel e pelos Estados Unidos, tornando o Shahed uma das armas mais problemáticas para as defesas aliadas neste momento.
O mercado do petróleo como motor financeiro da guerra
Para o governo britânico, Putin é o maior beneficiado direto pela escalada de preços no setor energético, o que explicaria seu interesse no prolongamento da crise. Healey argumentou que os valores exorbitantes do barril de petróleo fornecem os recursos necessários para que o Kremlin sustente sua campanha militar em solo ucraniano.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump minimizou os danos econômicos da alta, ressaltando que, como maior produtor mundial de petróleo, o país norte-americano obtém lucros significativos com a situação.
No entanto, o otimismo de Trump é rebatido pela realidade crítica no Oriente Médio. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, alertou que o conflito não será resolvido com rapidez ou através de redes sociais. Larijani classificou a postura americana como um “erro de cálculo grave” e reiterou que o Irã não recuará. A resistência de Teerã foi reforçada por Mojtaba Khamenei, sucessor do líder supremo, que prometeu manter os ataques às bases dos EUA e assegurar o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz.
Crise global e o bloqueio no Estreito de Ormuz
A situação atingiu um nível de interrupção no fornecimento global sem precedentes na história, conforme dados da Agência Internacional de Energia. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, foi agravado por ataques iranianos com drones submarinos contra petroleiros e pela suspeita de minagem da via navegável. Recentemente, dois navios-tanque foram incendiados na costa iraquiana, resultando na suspensão das operações de terminais de exportação e elevando o preço do barril para a marca dos US$ 100.
Diante desse cenário, as potências ocidentais avaliam a viabilidade de escoltas navais para proteger o comércio marítimo. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, indicou que, embora a Marinha americana esteja focada em destruir as capacidades ofensivas do Irã, a escolta de navios pode começar até o fim do mês.
A França também sinalizou disposição para auxiliar na proteção de navios mercantes, enquanto o Reino Unido mantém cautela devido à disponibilidade limitada de seus navios de guerra na região, com o HMS Dragon atualmente em missão de defesa de bases aéreas no Chipre.