Lula sobe o tom contra restrições dos EUA e proíbe vinda de Darren Beattie, assessor de Trump

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Em uma escalada diplomática, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta sexta-feira (13), que o governo brasileiro barrou a entrada de Darren Beattie, assessor do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para assuntos relacionados ao Brasil.

A decisão foi apresentada como uma resposta direta às restrições de vistos impostas pelas autoridades americanas ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e sua família.

Durante evento de inauguração do Hospital do Andaraí, no Rio de Janeiro, Lula foi enfático ao condicionar a vinda de Beattie à normalização da situação do ministro brasileiro. O assessor americano tinha planos de vir ao Brasil para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas, segundo Lula, a entrada foi proibida enquanto os vistos de Padilha permanecerem bloqueados.

O princípio da reciprocidade diplomática

O Palácio do Itamaraty confirmou a revogação do visto de Darren Beattie ainda na tarde desta sexta-feira. A diplomacia brasileira sustenta que a medida se baseia no princípio da reciprocidade, um pilar das relações internacionais frequentemente utilizado pelos próprios Estados Unidos. Na prática, o governo brasileiro aplica ao representante americano o mesmo rigor que seus oficiais enfrentaram.

Lula aproveitou a agenda no Rio para manifestar apoio público a Padilha, classificando as restrições impostas pela administração americana como injustificáveis, especialmente por atingirem o núcleo familiar do ministro. O presidente afirmou que, ao vetar a entrada do assessor de Trump, está agindo para proteger seu subordinado diante do que considera uma medida arbitrária.

O histórico do impasse com o Ministro da Saúde

O imbróglio envolvendo os documentos de Alexandre Padilha arrasta-se desde agosto do ano passado, quando os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha de 10 anos do ministro. Na ocasião, o visto do próprio Padilha não foi formalmente cancelado apenas porque já se encontrava com o prazo de validade expirado.

Apesar do bloqueio anterior, em setembro do último ano, Padilha chegou a obter uma autorização especial de entrada para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. No entanto, a nova postura do governo brasileiro sinaliza que exceções pontuais para eventos multilaterais não serão suficientes para resolver a crise diplomática entre Brasília e a futura equipe de Washington.

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