Julgamento de Bolsonaro no STF pode gerar nova leva de sanções dos EUA contra o Brasil, teme Governo Lula
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê uma nova onda de sanções por parte dos Estados Unidos, que seriam motivadas pelo andamento do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
A percepção é que uma possível condenação de Bolsonaro, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa de ser o “principal articulador” de uma tentativa de golpe de Estado, poderia levar a mais sanções econômicas e até mesmo a restrições contra ministros do STF.
Essa preocupação se intensificou após o presidente norte-americano, Donald Trump, vincular o aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros, em vigor desde 6 de agosto, à situação legal de Bolsonaro. Para o governo brasileiro, a relação com os EUA está em uma fase crítica.
A estratégia da reciprocidade
Em resposta ao cenário de tensão, o governo Lula já deu início a procedimentos para adotar medidas de reciprocidade contra os EUA. Segundo fontes do governo, essa ação já estava prevista e não tem relação direta com o julgamento de Bolsonaro, mas visa criar uma base legal para uma possível retaliação futura.
A lógica é que, como o processo de aplicação de leis de reciprocidade é demorado, uma eventual resposta brasileira a novas sanções americanas só seria possível no final de 2025 ou em 2026. A expectativa é que, ao iniciar esse processo, o Brasil possa abrir espaço para o diálogo com os EUA, que até o momento têm evitado negociar sobre o tema.
Possíveis medidas e cautela
O governo brasileiro avalia que o motivo real por trás do aumento das tarifas americanas é político, o que justifica a busca por respostas. No entanto, a prioridade não é adotar tarifas ou sobretaxas contra os EUA, pois isso poderia prejudicar o setor produtivo nacional.
As possíveis respostas a novas sanções seriam de natureza política, visando mais o impacto externo do que a aplicação de barreiras econômicas. As opções, ainda em fase de discussão, incluem medidas como a quebra de patentes de medicamentos e a taxação de serviços de streaming. A decisão final sobre a retaliação levará em conta a repercussão interna e externa.
