Israel busca definição clara dos EUA sobre o Irã em reunião decisiva de Netanyahu e Trump

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O aparato de segurança de Israel monitora com cautela as reais intenções dos Estados Unidos em relação ao Irã. Mesmo com o encontro agendado entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente Donald Trump em Washington, o cenário permanece nebuloso.

Interlocutores israelenses que estiveram em contato com enviados americanos, como Steve Witkoff e Jared Kushner, relatam que existe um consenso sobre a ameaça representada pelo regime de Teerã, bem como sobre os objetivos operacionais a serem alcançados.

Contudo, embora os interesses americanos sejam mais amplos, Israel coloca à disposição sua vasta inteligência e a experiência prática acumulada em combates diretos e incursões em território iraniano nos últimos dois anos.

O risco da ação incompleta e a pressão regional

Um dos maiores temores de Jerusalém é uma ofensiva militar limitada que não neutralize as capacidades iranianas de forma definitiva. No entendimento de analistas, um ataque que comece sem uma conclusão clara pode ser tão prejudicial quanto a inércia total.

Se o Irã conseguir resistir e emergir de um confronto sem danos estruturais fatais, o regime poderá capitalizar politicamente, fortalecendo sua rede de terrorismo transfronteiriço e ameaçando a infraestrutura petrolífera de vizinhos. Esse receio é compartilhado por nações como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Catar, que têm pressionado Washington a priorizar a diplomacia. Para Israel, contudo, esse movimento desses países não indica simpatia por Teerã, mas sim o medo pragmático de represálias e a dependência de equilíbrios geopolíticos sensíveis.

A estratégia de sobrevivência de Teerã

Dentro do Irã, a liderança adota uma postura de “negociação de bazar”, tentando medir até onde pode ceder sem perder o controle do poder ou seus ativos principais. O objetivo é evitar a capitulação total enquanto se testa a flexibilidade americana. Há indícios de que o regime já esteja movendo recursos estratégicos para o mercado clandestino, buscando garantir uma recuperação ágil após possíveis bombardeios.

Essa tática de sobrevivência mimetiza o comportamento de grupos como Hezbollah e Hamas, que historicamente declaram vitória apenas pelo fato de sua infraestrutura subterrânea ter resistido aos ataques. Israel alerta que Teerã está pronto para usar essa mesma narrativa de resistência para proclamar sucesso após qualquer embate de baixa intensidade.

Linhas vermelhas e o fator Trump

O governo israelense já estabeleceu limites claros, especialmente no que diz respeito ao arsenal de mísseis balísticos do Irã, estimado atualmente em 1.800 unidades e dezenas de lançadores. Embora as autoridades de defesa afirmem que o ponto de ruptura ainda não foi atingido, o crescimento desse poder bélico forçará Jerusalém a tomar decisões drásticas, mensagem que Netanyahu pretende enfatizar em sua visita oficial.

Apesar de Israel manter a capacidade de intervir diretamente em solo iraniano, a palavra final sobre uma escalada regional repousa sobre a Casa Branca. No momento, o sentimento entre as autoridades israelenses é de que as próximas decisões de Donald Trump permanecem imprevisíveis.

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