Israel alerta para intensificação de ataques ao Irã após mísseis atingirem áreas civis israelenses
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou nesta sexta-feira (27 de março de 2026) que as Forças de Defesa de Israel (IDF) vão expandir e intensificar os ataques aéreos contra o Irã. A decisão ocorre em resposta aos persistentes lançamentos de mísseis balísticos iranianos contra centros civis israelenses. Segundo Katz, embora existam esforços diplomáticos liderados pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para um cessar-fogo, a agressividade de Teerã não diminuiu, o que obriga Israel a atacar infraestruturas que sustentam a máquina de guerra do regime, incluindo novas áreas de produção e operação de armamentos.
Alvos estratégicos e destruição de capacidades navais
Nas últimas 24 horas, a Força Aérea Israelense atingiu o que descreveu como a instalação “mais central” de produção de armas navais do Irã, localizada em Yazd. O complexo era utilizado para o desenvolvimento de mísseis de cruzeiro e minas navais avançadas, destinados a ataques contra alvos marítimos. Além disso, as incursões atingiram dezenas de fábricas de componentes para mísseis balísticos e sistemas de defesa aérea na região de Teerã. Em uma operação de precisão, as IDF também eliminaram um grupo de soldados iranianos que se preparavam para lançar ataques iminentes contra o território israelense.
O uso de bombas de fragmentação e o perigo civil
Um dos pontos mais alarmantes do conflito é o uso sistemático de bombas de fragmentação por parte do Irã. De acordo com relatórios militares, a maioria dos mísseis lançados contra Israel carrega submunições que se espalham por vastas áreas, muitas das quais não explodem no impacto imediato, tornando-se minas terrestres de facto. Embora o uso desse armamento seja proibido por convenções internacionais de 2008, nem Israel nem o Irã são signatários do acordo. As defesas aéreas israelenses mantêm uma taxa de interceptação de 92%, mas os impactos de fragmentação já atingiram mais de 150 locais diferentes desde o início das hostilidades.
A guerra transbordou para os países vizinhos, com o Kuwait e a Arábia Saudita sendo alvos de drones e mísseis iranianos. No Kuwait, o porto de Mubarak Al Kabeer foi atingido, marcando a primeira vez que uma infraestrutura ligada à iniciativa “Cinturão e Rota” da China sofre danos diretos no conflito. Teerã também emitiu alertas severos para que civis se afastem de áreas com presença de tropas americanas, chegando a ameaçar ataques contra hotéis que abriguem soldados dos EUA na região do Golfo, sob a alegação de que estes seriam usados como “escudos humanos”.
Diplomacia sob pressão e o Estreito de Ormuz
Apesar da escalada militar, canais diplomáticos permanecem entreabertos. Relatos indicam que representantes dos EUA e do Irã podem se reunir em breve no Paquistão para discutir uma proposta de paz de 15 pontos apresentada por Donald Trump. No entanto, o clima é de desconfiança: o Irã mantém o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, e ameaça atacar instalações de energia caso os EUA cumpram ultimatos militares. Enquanto as negociações não avançam, o Pentágono avalia o envio de mais 10 mil soldados para a região, aumentando o contingente americano para garantir opções ofensivas contra infraestruturas petrolíferas iranianas.