Irã inaugura mural que simula destruição de porta-aviões americano; EUA preparam exercícios de larga escala no Oriente Médio

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A capital do Irã amanheceu com uma mensagem visual impactante na Praça Enghelab, tradicional ponto de manifestações oficiais. Um outdoor de proporções monumentais foi inaugurado exibindo um porta-aviões dos Estados Unidos em chamas, com caças destruídos sobre o convés.

O detalhe mais provocativo, no entanto, está no mar: rastros de sangue que se espalham pela água, formando um padrão que remete às listras da bandeira americana.

Acompanhando a imagem, uma legenda bilíngue em farsi e inglês cita o texto bíblico de Oséias 8:7: “Quem semeia vento, colhe tempestade”. A instalação é lida por analistas como uma resposta direta à recente escalada militar e retórica de Washington na região.

Uma enorme faixa exibida na Praça da Revolução retrata um ataque de míssil a bordo de um porta-aviões americano pintado com as cores da bandeira dos EUA no Golfo Pérsico em 2 de janeiro.

O avanço da “Grande Armada” americana

A exibição do mural coincide com a chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de apoio ao Oriente Médio. O presidente Donald Trump, que apelidou o destacamento de “grande armada”, justificou o movimento como uma medida de precaução. Em declarações recentes, Trump afirmou que a presença naval visa monitorar a situação de perto, embora tenha sinalizado que prefere uma solução diplomática.

Apesar do tom de cautela, o presidente americano vinculou a pressão militar à possibilidade de um novo acordo. Segundo Trump, o Irã estaria “pronto para negociar” devido à presença dos navios, o que, na visão da Casa Branca, deveria resultar na eliminação do estoque de urânio enriquecido e na limitação do programa de mísseis de longo alcance iraniano.

Repressão interna e resposta militar

O cenário de confronto externo é agravado pela crise interna no Irã. As ameaças de intervenção de Trump ocorrem após uma onda de protestos duramente reprimidos pelas autoridades locais, resultando em milhares de mortes e dezenas de milhares de prisões. O outdoor na capital serve, portanto, como uma tentativa de demonstrar força e soberania diante das críticas estrangeiras.

No mesmo dia da inauguração do painel, o comando da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) elevou o tom das ameaças. Líderes militares declararam que as forças iranianas estão em estado de alerta máximo, “com o dedo no gatilho”, prontas para responder a qualquer incursão em solo ou águas territoriais.

Exercícios militares e pressão diplomática

Enquanto o Comando Central dos EUA (CENTCOM) prepara exercícios militares rápidos envolvendo a Nona Força Aérea para testar o deslocamento de pessoal e aeronaves, a frente diplomática também se move. A União Europeia deve anunciar novas sanções contra membros do alto escalão da Guarda Revolucionária, como punição direta pela violência empregada contra os manifestantes.

O mundo observa agora o próximo passo de Donald Trump. Entre a demonstração de força militar e a expectativa de uma mesa de negociações, o mural em Teerã deixa claro que o governo iraniano não pretende recuar sem uma exibição pública de resistência.

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