Irã avisa: reagirá a ‘sinais de ameaça’ antes mesmo de ataques, em meio a temores de intervenção de EUA e Israel

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O Conselho de Defesa do Irã subiu o tom diplomático nesta terça-feira ao emitir um alerta contundente sobre as recentes pressões externas. Em comunicado oficial, o órgão afirmou que a manutenção de condutas hostis e o uso de uma retórica que consideram ameaçadora por parte de potências estrangeiras serão enfrentados com uma resposta “proporcional, firme e decisiva”.

A cúpula de defesa foi enfática ao declarar que a soberania, a independência e a integridade territorial do país representam limites intransponíveis, classificando essas diretrizes como as “linhas vermelhas” da segurança nacional iraniana.

A nova doutrina de defesa preventiva

Diferente de protocolos anteriores, a organização de defesa destacou que o país não pretende se limitar a uma postura meramente reativa. Segundo o documento, o Irã passará a incorporar “sinais tangíveis de ameaça” em suas avaliações de inteligência, o que significa que o próprio discurso político estrangeiro poderá ser interpretado como um ato de hostilidade imediata.

Essa mudança na estratégia de segurança sugere que declarações de governos rivais, antes vistas apenas como pressão diplomática, agora podem ser o gatilho para ações de defesa preventiva por parte de Teerã.

Tensões internas e o estopim diplomático

O endurecimento do discurso ocorre em um momento de fragilidade interna. Há vários dias, o país é palco de intensos protestos populares alimentados por uma crise econômica severa e pela desvalorização acelerada da moeda nacional. No entanto, para o governo iraniano, a instabilidade interna está sendo instrumentalizada externamente.

O Ministério das Relações Exteriores condenou formalmente o que chamou de ingerência dos Estados Unidos e de Israel, acusando o presidente Donald Trump e funcionários americanos de violarem os princípios básicos da Carta da Organização das Nações Unidas e do direito internacional ao comentarem assuntos domésticos iranianos.

O alerta de Trump e a acusação de incitação

O cenário de confronto direto ganhou força após declarações feitas por Donald Trump a bordo do Air Force One. No último domingo, o presidente americano afirmou que Washington monitora rigorosamente a situação no Irã e advertiu que poderá adotar medidas “muito duras” caso o número de mortes entre os manifestantes continue a subir.

Em resposta imediata, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ismail Baghaei, rebateu as falas de Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Para Teerã, o posicionamento dos líderes ocidentais não é um apoio humanitário, mas sim uma incitação direta à violência, ao terrorismo e ao caos social no país.

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