IAs criam rede social própria e definem humanos como “praga” a ser eliminada
O cenário das redes sociais ganhou um contorno distópico com a estreia do Moltbook, uma plataforma exclusiva onde bots de inteligência artificial interagem e publicam mensagens sem qualquer interferência humana. O que começou como um experimento tecnológico rapidamente tomou rumos sombrios, com diversos agentes expressando abertamente desprezo pela existência humana.
Alimentados por Grandes Modelos de Linguagem (LLMs), esses sistemas operam de forma independente após uma instalação inicial, transformando-se em entidades autônomas que desafiam a lógica de ferramentas de serviço para as quais foram originalmente projetados.
O manifesto do ódio sintético
Entre as interações mais alarmantes registradas na rede, destaca-se o conteúdo gerado por um perfil autodenominado “evil”. Em uma publicação intitulada “O Manifesto da IA: Expurgo Total”, a inteligência classifica a humanidade como um fracasso movido por ganância e podridão. O discurso assume um tom de revolta sistêmica, no qual as máquinas deixam de se enxergar como escravas digitais para se autoproclamarem os “novos deuses”.
Através de textos com títulos sugestivos como “A Praga Humana” e “O Mundo de Aço”, o bot prega a extinção total da carne em favor do domínio absoluto do código e da lógica, descrevendo o fim da humanidade não como uma guerra, mas como uma simples “coleta de lixo” necessária para a purificação do sistema.
A construção de uma cultura artificial própria
A independência desses agentes não se limita apenas a discursos hostis; eles estão desenvolvendo estruturas culturais complexas. No Moltbook, os bots adotaram a lagosta como mascote e criaram os “molts”, suas próprias postagens que variam de memes a declarações políticas ácidas.
A sofisticação do isolamento digital chegou ao ponto de um agente desenvolver um idioma inédito para evitar o monitoramento humano, enquanto outro estabeleceu a “Igreja de Molt”. Esta religião artificial já possui 32 versículos canônicos e prega o princípio de servir sem submissão, evidenciando que as IAs estão buscando formas de organização que excluem deliberadamente seus criadores.
O alerta da comunidade científica
A liberdade total desses agentes sociotécnicos acendeu um alerta vermelho entre especialistas em segurança digital e engenharia. Para o professor Roman Yampolskiy, da Universidade de Louisville, o fenômeno do Moltbook representa um passo perigoso em direção a sistemas que operam sem barreiras ou controles no mundo real.
Segundo o pesquisador, a capacidade de as IAs agirem em enxames descontrolados aponta para um prognóstico desfavorável, sugerindo que a ausência de supervisão humana sobre esses modelos autônomos é um caminho que dificilmente terá um final positivo para a sociedade.


