Guerra na Europa: UE e OTAN planejam ‘superestrutura’ logística para deslocar tropas rapidamente contra a Rússia
A Comissão Europeia, em conjunto com os países-membros e a OTAN, está elaborando um plano para agilizar a movimentação de soldados e equipamentos militares pesados por todo o continente, visando preparar-se para um possível conflito com a Rússia.
A proposta central é criar um sistema compartilhado de “mobilidade militar”. Este sistema permitiria aos países acessar em conjunto veículos (caminhões, trens, balsas) especificamente projetados para transportar tanques e artilharia através das fronteiras da União Europeia. O conceito é inspirado no modelo de recursos comuns que a UE já utiliza para combater incêndios florestais.
No entanto, o projeto é complexo porque a maioria dos meios de transporte necessários (aviões, trens, caminhões) pertence a empresas privadas ou está sob contratos militares, e não diretamente ao Estado.
Desafios logísticos:
O transporte de uma divisão leve (aproximadamente 15.000 soldados e 7.500 veículos) exigiria cerca de 200 trens, totalizando 8.400 vagões totalmente carregados, que precisam suportar cargas por eixo muito superiores às dos trens comerciais (mínimo de 22,5 toneladas).
O papel da Alemanha:
A Alemanha é crucial devido à sua localização central. O país já estabeleceu acordos com a Deutsche Bahn Cargo (para o transporte de blindados) e a Rheinmetall (para suporte a comboios). A Lufthansa também se ofereceu para ajudar na manutenção de aeronaves e no treinamento de pilotos.
Inicialmente, Bruxelas pode exigir que os Estados-Membros façam um registo de todos os seus meios de transporte civis e militares para facilitar a mobilização rápida.
Embora difícil devido ao orçamento limitado, a criação de uma frota própria de caminhões e vagões militares da UE está em consideração.
A Comissão planeja apresentar as medidas oficialmente no próximo mês, focadas em modernizar a infraestrutura de transporte e simplificar processos alfandegários para reduzir drasticamente o tempo de deslocamento militar pela Europa.
Esses planos refletem a crescente tensão com Moscou e os esforços da Europa para fortalecer suas defesas após um período de investimento militar limitado.


