Groenlândia orienta civis a estocar armas e comida em meio a exigências de anexação de Trump

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O governo da Groenlândia deu um passo inédito na preparação de sua população ao publicar, nesta quarta-feira, um manual oficial de emergência. O documento orienta que as famílias estoquem suprimentos básicos para um período mínimo de cinco dias, incluindo água potável e itens de higiene.

Peter Borg, ministro da Pesca e Autossuficiência, detalhou que a recomendação é de três litros de água diários por pessoa. De forma notável, o guia também inclui “armas de caça e munição” entre os itens essenciais, o que o governo descreve não como um alerta de pânico, mas como uma medida para fortalecer a segurança coletiva diante de incertezas crescentes.

Pressão de Trump e o risco de ruptura na OTAN

A medida preventiva surge em um momento de extrema tensão geopolítica provocada pelo renovado interesse do presidente dos EUA, Donald Trump, em adquirir o território dinamarquês. O governo americano não descartou a possibilidade de uma ação armada caso a via diplomática — ou a proposta de compra — fracasse.

Esse cenário coloca a OTAN em uma posição paradoxal e perigosa: a possibilidade de que seu membro mais poderoso ataque o território de um aliado, o que invalidaria os princípios de defesa mútua que sustentam a organização desde sua fundação.

Reação europeia e ameaças de retaliação comercial

A crise já transbordou para o campo econômico. O Parlamento Europeu suspendeu a ratificação de acordos comerciais com os Estados Unidos em resposta às ameaças de Trump de impor tarifas sobre nações europeias que se opõem à soberania americana sobre a Groenlândia.

O clima político em Bruxelas é de hostilidade; o eurodeputado dinamarquês Anders Vistisen chegou a protagonizar episódios de ataques verbais diretos ao presidente americano durante sessões parlamentares, evidenciando o desgaste diplomático profundo entre o bloco europeu e Washington.

Dinamarca e Groenlândia entre a diplomacia e o conflito

Embora o ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, tente minimizar a hipótese de um confronto direto entre tropas aliadas, vozes na política dinamarquesa adotam um tom mais assertivo. Rasmus Jarlov, presidente da comissão de defesa da Dinamarca, afirmou categoricamente que uma incursão americana significaria estado de guerra, ressaltando o dever de proteger os 57 mil habitantes da ilha.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, ecoou esse sentimento de vigilância ao declarar que, embora o uso da força militar seja improvável, “não se pode descartá-lo”, e que o país deve estar pronto para todas as possibilidades.

Dependência militar europeia em xeque

Analistas observam com cautela a capacidade da Europa de defender a Groenlândia em um eventual embate com os Estados Unidos. Apesar das promessas recentes de aumento nos orçamentos de defesa pelo continente, a infraestrutura militar europeia ainda depende fortemente de recursos estratégicos americanos, como tecnologia espacial e logística de transporte de grande porte.

A atual crise na Groenlândia não apenas ameaça a soberania territorial dinamarquesa, mas expõe a vulnerabilidade de uma Europa que tenta encontrar sua autonomia em meio às investidas agressivas de seu aliado mais tradicional.

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