Gigante saudita alerta para “catástrofe” no mercado de petróleo é global caso Estreito de Ormuz continue bloqueado

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A gigante petrolífera estatal Aramco, da Arábia Saudita, emitiu um aviso contundente sobre as “consequências catastróficas” que a paralisia no Estreito de Ormuz pode acarretar para a economia mundial. Com o bloqueio da principal artéria de escoamento de energia do planeta, decorrente do conflito entre a coalizão EUA-Israel e o Irã, cerca de 20 milhões de barris de petróleo deixaram de circular diariamente nos últimos 11 dias.

O diretor executivo da companhia, Amin Nasser, classificou o cenário atual como a maior crise já enfrentada pela indústria de óleo e gás na região, superando qualquer interrupção histórica anterior.

Estratégias de escoamento e abastecimento

Para mitigar o impacto do cerco naval promovido pela Guarda Revolucionária Islâmica, que reduziu a passagem de petroleiros de cem para menos de dez por dia, a Arábia Saudita acionou planos de contingência severos. A Aramco está desviando sua produção para o oleoduto Leste-Oeste, visando atingir a capacidade máxima de 7 milhões de barris diários transportados até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Com essa manobra e o uso de estoques estratégicos mantidos fora do Golfo, o reino espera garantir o suprimento de 70% de suas exportações habituais, embora Nasser alerte que essa solução é temporária e não sustenta o mercado global por um longo período.

Volatilidade dos preços e reação dos mercados

Apesar do tom alarmista da estatal saudita, o mercado de commodities apresentou uma retração inesperada nesta terça-feira. O preço do barril de petróleo Brent recuou 14%, fixando-se em torno de US$ 85, após o presidente Donald Trump sugerir que o conflito poderia ter um desfecho rápido. Essa oscilação trouxe um alívio momentâneo para as bolsas de valores na Europa e nos Estados Unidos, que operaram em alta.

No entanto, o valor do barril ainda permanece significativamente acima dos patamares anteriores ao início das hostilidades, mantendo viva a preocupação com uma inflação global de energia.

Intervenção internacional e reservas de emergência

Diante da instabilidade, os líderes do G7 solicitaram à Agência Internacional de Energia (AIE) a elaboração de cenários para a liberação de reservas emergenciais de petróleo, uma medida drástica utilizada apenas cinco vezes na história. Os países membros da AIE mantêm estoques que somam 1,2 bilhão de barris, enquanto a China, maior importadora mundial, possui reservas estimadas em 1,4 bilhão de barris.

A mera expectativa de uma intervenção coordenada por parte das potências globais foi um dos fatores que ajudou a frear a escalada de preços, que nesta semana chegaram a atingir o pico de US$ 119, o maior valor registrado desde o início da guerra na Ucrânia em 2022.

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