França e Reino Unido anunciam presença militar permanente na Ucrânia após cessar-fogo
Em um desdobramento diplomático significativo, o Reino Unido e a França formalizaram a disposição de enviar contingentes militares à Ucrânia após a consolidação de um eventual acordo de paz. O compromisso, discutido há meses nos bastidores, foi selado durante uma cúpula em Paris liderada pelo presidente Emmanuel Macron.
O encontro reuniu cerca de 27 líderes mundiais, consolidando a chamada “coalizão dos dispostos”, e contou com a presença estratégica de enviados de Donald Trump, como Jared Kushner e Steve Witkoff.
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A declaração trilateral, assinada por Macron, pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer e pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, prevê a instalação de bases militares francesas e britânicas em território ucraniano logo após o estabelecimento de um cessar-fogo. Starmer enfatizou que a medida visa dar robustez a futuras garantias de segurança, embora o governo russo já tenha sinalizado que bloqueará veementemente qualquer iniciativa que envolva a presença de soldados da OTAN na região.
Segurança pós-conflito e o papel das forças terrestres
Apesar do anúncio histórico, as lideranças europeias foram cautelosas quanto à natureza da missão. Emmanuel Macron esclareceu que o objetivo não é o confronto direto com as forças de Moscou, mas sim a manutenção da estabilidade pós-guerra. As tropas seriam posicionadas em pontos estratégicos, recuadas em relação à linha de contato original, atuando no monitoramento do cessar-fogo sob coordenação compartilhada com os Estados Unidos.
A participação americana, representada por Witkoff, foi descrita como um apoio “firme” aos protocolos de segurança. Segundo o enviado, o governo Trump está comprometido em impedir novos ataques e em garantir que as forças presentes tenham capacidade de autodefesa caso as garantias sejam violadas.
A presença de Kushner e Witkoff em Paris ocorreu em substituição ao Secretário de Estado, Marco Rubio, que cancelou sua participação devido a crises diplomáticas recentes na América Latina.
Impasses territoriais e o ceticismo do Kremlin
Mesmo com o avanço nas discussões de segurança, o caminho para o fim das hostilidades permanece obstruído por questões territoriais. Zelensky admitiu que a cessão de terras continua sendo o principal ponto de discórdia e manifestou disposição para tratar o tema diretamente com o presidente Donald Trump, caso as equipes técnicas não cheguem a um consenso. Witkoff corroborou a visão de que a definição das fronteiras será a etapa mais crítica das negociações de paz.
Enquanto isso, o Kremlin mantém uma postura inflexível. Autoridades russas têm descartado tréguas temporárias, exigindo uma solução que ataque o que chamam de “causas profundas” do conflito. A Rússia rejeita categoricamente qualquer acordo que permita a presença de tropas ocidentais na Ucrânia, tornando a implementação do plano franco-britânico improvável no curto prazo, dada a vantagem russa no campo de batalha atual.
Divergências na coalizão e o futuro da defesa europeia
A cúpula de Paris também evidenciou fissuras entre os aliados europeus. Enquanto Londres e Paris lideram a iniciativa de envio de tropas, outros membros da coalizão demonstraram reticência. Itália e Polônia já declararam que não enviarão soldados para missões em solo ucraniano. A Alemanha, por meio do chanceler Friedrich Merz, sugeriu uma solução intermediária: o envio de tropas alemãs para países vizinhos, mas não para dentro das fronteiras ucranianas.
Para Zelensky, a disposição de certas nações em aumentar sua presença física é o que definirá a eficácia da coalizão. O presidente ucraniano reiterou que, embora o apoio logístico e o fornecimento de armas sejam fundamentais, o compromisso direto de potências como o Reino Unido e a França é essencial para que as garantias de segurança sejam respeitadas por Moscou. Keir Starmer resumiu o sentimento das negociações ao afirmar que, embora a paz pareça mais próxima no horizonte diplomático, os desafios reais para a aceitação de Putin ainda estão por vir.


