Flávio vai ao TSE contra ‘crimes’ e ataques à Bolsonaro em desfile pró-Lula

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O desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou à Marquês de Sapucaí o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, tornou-se o novo epicentro de uma batalha jurídica em Brasília.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o partido Novo anunciaram que entrarão com novas ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o argumento de que a apresentação configurou propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder político e econômico.

A ofensiva ocorre mesmo após o tribunal ter negado pedidos de liminar anteriores ao evento, quando magistrados entenderam que não havia elementos concretos para barrar a manifestação cultural.

Alegações de crimes eleitorais e ataques à família

Flávio Bolsonaro, atual pré-candidato à Presidência, utilizou suas redes sociais para classificar o desfile como uma utilização indevida de recursos públicos em benefício do Partido dos Trabalhadores.

O parlamentar afirmou que a ação será protocolada com agilidade e subiu o tom do discurso ao declarar que a escola de samba teria atacado valores familiares e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em coro com o senador, o partido Novo divulgou nota afirmando que o evento funcionou como uma “peça de propaganda do regime”, anunciando que buscará a inelegibilidade do atual presidente.

Representações polêmicas e o enredo da discórdia

O ponto central da contestação reside em alegorias que encenaram momentos críticos da história política recente do país. Durante a apresentação, uma das alas retratou o impeachment de Dilma Rousseff, mostrando o ex-presidente Michel Temer assumindo a faixa presidencial, seguida por uma representação da prisão de Lula e a posterior entrega do símbolo máximo do Executivo a um personagem denominado “Bozo”.

A escola buscou narrar a trajetória de Lula desde suas origens no Nordeste até a ascensão ao Palácio do Planalto, mas a estética adotada foi interpretada pela oposição como uma afronta direta e um uso político da avenida.

Reações parlamentares e cautela no Planalto

A repercussão estendeu-se a outros nomes da oposição, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que criticou o que chamou de “dois pesos e duas medidas” da Justiça Eleitoral. Enquanto isso, o clima nos bastidores do governo era de prudência.

A Comissão de Ética da Presidência já havia emitido recomendações para que autoridades federais evitassem condutas que pudessem gerar questionamentos jurídicos.

Esse ambiente de cautela levou a primeira-dama, Janja Lula da Silva, a desistir de sua participação no desfile. Embora tenha afirmado haver segurança jurídica para desfilar, Janja optou pelo recuo para evitar que a escola de samba se tornasse alvo de perseguições.

Desfecho na avenida e próximos passos jurídicos

Lula acompanhou a homenagem de um camarote oficial, ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e de membros de seu ministério. O presidente chegou a descer à pista para cumprimentar componentes da agremiação, mas deixou o local sem dar declarações à imprensa.

Agora, a expectativa se volta para o plenário do TSE, que deverá decidir se a manifestação artística ultrapassou os limites da liberdade de expressão e adentrou o campo da promoção política irregular, especialmente considerando que os brasileiros retornarão às urnas em outubro deste ano.

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