Filho do último xá se diz em posição “única” para assumir o Irã e prevê derrocada do regime
Reza Pahlavi, herdeiro do trono iraniano e filho do último xá, declarou publicamente sua convicção de que o atual regime islâmico está próximo do colapso. Em uma conferência de imprensa realizada em Washington, Pahlavi posicionou-se como uma figura central para liderar a transição política no país, afirmando possuir uma condição estratégica e “única” para chefiar um governo sucessor.
O movimento do herdeiro ocorre em um momento de extrema tensão, após semanas de manifestações populares que resultaram em uma repressão violenta e milhares de vítimas fatais nas mãos das forças de segurança estatais.
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O apelo por uma intervenção estratégica ocidental
Durante seu pronunciamento, Pahlavi instou as potências ocidentais a abandonarem a retórica passiva e adotarem medidas concretas para enfraquecer o governo do aiatolá Ali Khamenei. O herdeiro esclareceu que não defende uma invasão militar com tropas terrestres, mas sim ações cirúrgicas destinadas a desestabilizar o aparato repressivo, sugerindo ataques diretos contra a cúpula da Guarda Revolucionária.
Segundo ele, embora o regime esteja fadado à queda com ou sem ajuda externa, o apoio internacional seria o diferencial para acelerar o processo e poupar vidas iranianas, transformando a solidariedade diplomática em ações de impacto real.
Desafios de legitimidade e o peso do passado
Apesar de ter seu nome evocado em alguns protestos recentes sob gritos de “viva o xá”, a candidatura de Pahlavi enfrenta ceticismo. Fora do Irã desde a Revolução de 1979, sua capacidade de unir a oposição é questionada por aqueles que lembram as violações de direitos humanos ocorridas durante o reinado de seu pai.
Ao ser interpelado sobre a restauração da monarquia, Pahlavi evitou compromissos diretos, preferindo focar em um suposto plano de transição que inclui a realização de referendos. Ele sustenta que sua conexão com o povo é indissolúvel e afirma que setores das próprias forças de segurança já começaram a sinalizar lealdade ao seu projeto de poder.
O cenário ganha contornos complexos com a postura de Donald Trump, que, após prometer intervenções em defesa dos manifestantes, recuou devido à pressão de aliados regionais preocupados com a estabilidade do Oriente Médio. Em uma declaração recente via redes sociais, Trump chegou a agradecer à liderança iraniana pela suposta suspensão de execuções em massa, um gesto que contrasta com a gravidade dos números apresentados por Pahlavi.
Enquanto grupos de direitos humanos tentam confirmar a escala exata da violência, o herdeiro do trono insiste que o veredicto das ruas é inequívoco e que o “laço de nascimento” com a nação o credencia para guiar o Irã rumo a um novo sistema de governo.