Fenômeno raro: Paraná registra tornado de múltiplos vórtices com ventos de 120 km/h
A cidade de Mercedes, localizada no oeste paranaense, foi palco de um fenômeno meteorológico severo na noite de quinta-feira (1). De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), um tornado com ventos que alcançaram os 120 km/h atravessou a região.
O evento foi classificado tecnicamente como F1, a segunda categoria na escala de intensidade de tornados. Apesar do susto e da força dos ventos, a Defesa Civil Estadual informou que não houve registro de feridos ou grandes chamados de emergência na área urbana.
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Imagens revelam fenômeno raro e complexo
Registros em vídeo capturados no loteamento Renascer permitiram uma análise detalhada por especialistas. As imagens mostram uma supercélula — um tipo de nuvem de tempestade altamente organizada — apresentando múltiplos vórtices, o que inclui a presença de nuvens funil e dois tornados atuando simultaneamente.
Segundo a professora Karin Linete Hornes, especialista em geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a cena é característica de um tornado de múltiplos vórtices, onde vários funis tentam se conectar ao solo ao mesmo tempo. A pesquisadora ressalta que a visibilidade da coluna de vento depende de fatores como a condensação do ar e a quantidade de detritos levantados, sendo os danos no solo o principal indicador da passagem do fenômeno.
Destruição rápida e prejuízos na área rural
Embora a Defesa Civil não tenha registrado grandes ocorrências, o impacto foi sentido de forma direta na zona rural de Mercedes. O morador Tiago Vendramin relatou que a passagem da nuvem funil foi extremamente rápida, destruindo uma construção em poucos segundos. O vento arrancou o telhado da estrutura, gerando um prejuízo estimado em R$ 20 mil. O relato reforça a natureza imprevisível e localizada desses eventos, que podem causar danos severos em propriedades específicas enquanto áreas vizinhas permanecem intactas.
O Paraná no epicentro do corredor de tornados
O registro em Mercedes acende um alerta sobre a posição geográfica do estado, que está situado no segundo maior corredor de tornados do mundo. Essa região, que perde apenas para as planícies centrais dos Estados Unidos, abrange o Sul do Brasil e partes de países vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai.
A vulnerabilidade do território paranaense deve-se ao encontro frequente de massas de ar quente e frio, criando o cenário ideal para tempestades violentas. Dados históricos reforçam essa realidade: entre 1972 e 2025, a região Sul do Brasil contabilizou 514 tornados, incluindo episódios recentes de grande impacto em cidades como Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava.


