Exército cumpre ordens de Moraes e prende militares condenados por trama golpista
Nesta sexta-feira (10), o Exército Brasileiro deu início ao cumprimento das ordens de prisão contra integrantes do chamado “núcleo 4” da trama golpista, após condenação definitiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Três militares foram detidos em operações coordenadas: o major da reserva Ângelo Denicoli, localizado no Espírito Santo, o subtenente Giancarlo Rodrigues e o tenente-coronel Guilherme Almeida, ambos encaminhados ao Batalhão do Exército em Brasília. Enquanto os detidos iniciam o cumprimento de suas penas em unidades militares, o coronel Reginaldo Abreu, também alvo da operação, permanece foragido em território norte-americano.
Custódia militar e a atuação da Polícia Federal
A execução das penas segue o rito jurídico específico para integrantes das Forças Armadas. De acordo com a legislação vigente, militares da ativa e da reserva têm o direito de cumprir sentenças em estabelecimentos militares sob custódia da própria Força, como unidades da Polícia do Exército, em vez de presídios civis. Por essa razão, a responsabilidade pelas prisões desta sexta-feira recaiu sobre o próprio Exército Brasileiro. Paralelamente, a Polícia Federal mantém a competência para a captura dos réus civis e de agentes de segurança de outras esferas, como o agente da PF Marcelo Bormevet, que já se encontrava detido desde 2024 e agora passa ao regime de cumprimento definitivo.
As condenações, proferidas pelo STF em outubro de 2025, fundamentam-se em investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR) que revelaram o uso indevido da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Segundo os autos, o grupo coordenava a espionagem de adversários políticos e a disseminação sistemática de notícias falsas para desestabilizar o processo eleitoral e as instituições democráticas. O esquema visava criar um ambiente de instabilidade que favorecesse uma ruptura institucional, utilizando-se de táticas de desinformação contra autoridades e órgãos do Estado.
Sentenças e sanções administrativas
As penas impostas aos sete réus condenados variam de 7 a 17 anos de prisão, com a maioria em regime inicial fechado e multas que acompanham a gravidade dos atos. Além do encarceramento, o STF determinou medidas acessórias severas, incluindo a inelegibilidade de todos os envolvidos e o pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. No âmbito administrativo, os oficiais enfrentam processos de declaração de indignidade para o oficialato, enquanto o agente da PF perdeu o cargo público. O caso também mantém ramificações internacionais, com buscas ativas por condenados foragidos nos Estados Unidos e no Reino Unido.