Europa planeja envio de tropas à Groenlândia contra ameaça de Trump; Dinamarca veta concessões aos EUA
Diante das recentes intenções manifestadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a Groenlândia, um bloco de nações europeias iniciou discussões estratégicas para ampliar sua presença militar na região. De acordo com informações da agência Bloomberg, o movimento é articulado principalmente pelo Reino Unido e pela Alemanha.
O objetivo central é demonstrar ao governo americano que a Europa está comprometida com a segurança do Ártico, propondo inclusive a criação de uma missão conjunta da Otan para proteger o território, que atualmente pertence à Dinamarca.
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Porta-vozes do governo alemão confirmaram que o reforço da vigilância no extremo norte busca atenuar as justificativas de segurança alegadas por Washington. A preocupação é compartilhada por outros membros da aliança; a Bélgica, por exemplo, já defendeu publicamente a necessidade de uma operação específica da Otan na área.
Enquanto isso, imagens de exercícios militares no Ártico começaram a ser divulgadas pela organização como uma demonstração de prontidão, antecipando movimentações que estavam previstas apenas para o mês de março.
Ameaças à coesão da OTAN e soberania dinamarquesa
A investida de Donald Trump sobre a Groenlândia escalou para além da diplomacia comercial, atingindo os alicerces da Aliança Atlântica. O presidente norte-americano sinalizou que estaria disposto a sacrificar a própria existência da Otan em favor do controle da ilha, afirmando que não se sente restrito pelo direito internacional e que a posse do território é “psicologicamente necessária” para o seu sucesso. Em resposta, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou o momento como uma encruzilhada histórica, alertando que qualquer tentativa de tomada à força representaria o fim da ordem mundial atual e da coalizão ocidental.
Apesar da resistência da Dinamarca, que reafirma que a ilha não está à venda, a Casa Branca mantém abertas duas frentes de ação. Por um lado, o secretário de Estado, Marco Rubio, deve receber líderes dinamarqueses e groenlandeses em Washington para discutir possibilidades de transferência de soberania.
Por outro, o governo americano não descarta o uso da força militar, alegando a necessidade de conter a influência da Rússia e da China. Surgiram, inclusive, relatos de que Washington cogita oferecer incentivos financeiros individuais aos habitantes da ilha que apoiarem a anexação.
Estratégias de Contingência e tensões geopolíticas
A Europa trabalha contra o relógio para estruturar um plano de contingência caso a ameaça de invasão militar se materialize. França e Alemanha já estão confirmadas na elaboração dessa estratégia de defesa, que visa proteger a integridade territorial da Groenlândia.
O argumento de Trump de que a ilha estaria vulnerável a ocupações russas ou chinesas foi prontamente rebatido por países nórdicos, que negam a presença de embarcações estrangeiras operando ilegalmente na costa groenlandesa.
Mesmo com figuras do Legislativo americano, como o republicano Mike Johnson, tentando priorizar os canais diplomáticos, o tom agressivo da Casa Branca mantém o continente europeu em alerta máximo.
A expectativa agora recai sobre os encontros em Washington, onde a Dinamarca prometeu manter-se firme em seus valores fundamentais, enquanto a comunidade internacional observa com cautela o impacto dessa crise na coesão da defesa mútua entre os aliados do Ocidente.


