EUA mobilizam porta-aviões nuclear para exercícios conjuntos com 10 países da América Latina
O Comando Sul dos Estados Unidos oficializou a realização do exercício militar “Southern Seas 2026”, que contará com a participação do USS Nimitz, o porta-aviões mais antigo da frota norte-americana ainda em operação. Acompanhado pelo destróier de mísseis guiados USS Gridley, o navio de propulsão nuclear percorrerá águas da América do Sul, Norte, Central e Caribe. A missão envolve treinamentos conjuntos com as forças navais de dez nações parceiras, incluindo gigantes regionais como Brasil, Argentina, Chile e Colômbia, além de nações como México, Equador, Peru, Uruguai, El Salvador e Guatemala.
Objetivos estratégicos e fortalecimento de alianças
De acordo com o Contra-Almirante Carlos Sardiello, comandante do braço naval do Comando Sul, o deslocamento do USS Nimitz — em serviço desde 1975 — visa consolidar a estabilidade e a segurança no Hemisfério Ocidental. O oficial destacou que a missão funciona como um mecanismo para fortalecer alianças marítimas e construir uma base de confiança mútua entre os países envolvidos. Para o comando norte-americano, o trabalho cooperativo é a ferramenta fundamental para o enfrentamento de ameaças comuns que atingem a região.
Controvérsias e escalada Militar na região
Apesar do discurso de cooperação, a crescente presença militar dos EUA na América Latina tem sido acompanhada por dados alarmantes sob a justificativa do combate ao narcotráfico. Desde agosto de 2025, operações letais contra pequenas embarcações resultaram na morte de ao menos 157 pessoas, muitas vezes baseadas em suspeitas de transporte de entorpecentes que não chegaram a ser comprovadas. Esse cenário de endurecimento foi reforçado por Joseph M. Humire, secretário adjunto interino da Guerra, que afirmou recentemente que as investidas contra supostos “narcobarcos” representam apenas a fase inicial de uma estratégia mais ampla.
Mobilização de equipamentos de alta tecnologia
O envio do USS Nimitz não é um evento isolado, mas parte de um fluxo contínuo de ativos militares de alto valor para as águas latino-americanas nos últimos meses. Recentemente, a região recebeu unidades de elite como o porta-aviões USS Gerald R. Ford, o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima e o submarino nuclear USS Newport News. Essa concentração de poder de fogo sinaliza uma mudança significativa na postura operacional dos Estados Unidos no continente, elevando o nível de vigilância e intervenção marítima.