EUA iniciam bloqueio marítimo total ao Irã e tensão atinge nível crítico; Netanyahu alerta para o fim do cessar-fogo
As forças militares dos Estados Unidos deram início, nesta segunda-feira, a um bloqueio marítimo abrangente contra o Irã. A operação, coordenada pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM) sob diretrizes de Donald Trump, começou oficialmente às 10h00 (horário de Washington). A medida visa paralisar o tráfego comercial de todos os portos iranianos, tanto no Golfo Pérsico quanto no Golfo de Omã, como resposta direta ao que a Casa Branca classifica como “extorsão” por parte de Teerã.
O ponto central do conflito é a recente prática iraniana de cobrar pedágios para a travessia do Estreito de Ormuz. O governo americano prometeu manter o bloqueio de forma imparcial contra qualquer embarcação que tente entrar ou sair de águas iranianas. No entanto, o CENTCOM ressaltou que a liberdade de navegação será preservada para navios que transitam pelo estreito com destino a outros portos da região que não pertençam ao Irã.
Reação de Teerã e o fracasso diplomático em Islamabad
A resposta de Teerã foi imediata e carregada de tensão. A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado alertando que a presença de navios de guerra estrangeiros no Estreito de Ormuz, independentemente da justificativa, será interpretada como uma violação direta do cessar-fogo vigente. Os militares iranianos prometeram agir com firmeza contra o que consideram uma afronta à sua soberania e às prerrogativas de segurança estabelecidas anteriormente com Washington.
O agravamento da crise ocorre após o colapso das negociações realizadas em Islamabad, no Paquistão. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, relatou que o Irã falhou em cumprir os termos do acordo que previa a interrupção de hostilidades e a abertura imediata do Estreito de Ormuz. Segundo o governo americano, a intransigência iraniana em não cessar o enriquecimento de urânio e não remover material nuclear sensível tornou a continuidade do diálogo inviável, forçando a retomada das medidas de pressão máxima.
Alinhamento estratégico entre Israel e Estados Unidos
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, manifestou apoio total à decisão de Donald Trump durante uma reunião de gabinete nesta segunda-feira. Netanyahu desmentiu rumores de qualquer distanciamento diplomático entre Jerusalém e Washington, afirmando que ambos os países operam em constante coordenação. Ele revelou ter sido informado detalhadamente por JD Vance sobre o fracasso das conversas com a delegação islâmica, reforçando que a prioridade compartilhada é garantir que o Irã não possua capacidade de enriquecimento nuclear por décadas.
A postura israelense permanece de vigilância máxima. O primeiro-ministro destacou que a situação de segurança é volátil e o cessar-fogo pode ser alterado rapidamente. Essa incerteza já impacta a agenda interna de Israel, com o governo planejando gravar antecipadamente as cerimônias do Dia da Independência para garantir a realização do evento caso o cenário militar impeça a presença de público na próxima semana.
Em um tom contundente, Netanyahu traçou um paralelo histórico entre as atuais instalações nucleares do Irã e os campos de extermínio nazistas. Às vésperas do Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, o líder israelense afirmou que locais como Isfahan e Natanz poderiam ter destinos trágicos na história caso Israel não tivesse tomado as rédeas de sua própria defesa através das Forças de Defesa de Israel (FDI).
O primeiro-ministro concluiu reforçando que, ao contrário do passado, Israel hoje tem a capacidade de perseguir aqueles que ameaçam sua existência. O discurso ocorreu logo após sua visita ao sul do Líbano, onde se encontrou com tropas que atuam na desarticulação de infraestruturas do Hezbollah, reafirmando o compromisso de eliminar ameaças em múltiplas frentes enquanto o bloqueio liderado pelos EUA pressiona o regime de Teerã.