EUA e Israel eliminam Ali Naeini, porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã em série de ataques aéreos por todo país

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A agência de notícias Mehr confirmou, nesta sexta-feira, a morte do Brigadeiro-General Ali Mohammad Naeini, porta-voz do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC). O oficial foi alvo de uma operação conjunta realizada pelas forças armadas dos Estados Unidos e de Israel. A IRGC emitiu um comunicado oficial lamentando a perda e destacando o papel estratégico do comandante nas últimas décadas.

Naeini era uma figura central na estrutura de defesa iraniana, acumulando mais de quarenta anos de serviço dedicado à Revolução Islâmica. Sua trajetória incluiu passagens fundamentais pela área de propaganda durante o conflito de oito anos contra o Iraque, além de atuar como o principal narrador e documentarista da chamada “Defesa Sagrada”. Nos últimos dois anos, ele consolidou sua imagem pública ao assumir a função de porta-voz oficial da organização, sendo descrito por seus pares como um exemplo de sacrifício e persistência na trajetória da jihad.

Estratégias na “Guerra Suave” e resistência cognitiva

Para além de suas funções burocráticas, o Corpo de Fuzileiros Navais ressaltou que Naeini foi o arquiteto de modelos táticos voltados para a “guerra suave”. Esses métodos devem continuar servindo como doutrina para as autoridades iranianas no enfrentamento do que o regime classifica como “guerra cognitiva contra os imperialistas”. Em nota, a organização prestouhomenagens à coragem e sinceridade do comandante, estendendo as honrarias ao seu irmão, também considerado mártir.

A perspectiva de Israel sobre o alvo

Por outro lado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram a autoria do ataque e definiram Naeini como o “principal propagandista” do regime iraniano. Segundo o comunicado oficial israelense, o general exercia um papel de influência direta sobre grupos aliados em todo o Oriente Médio, utilizando seu cargo para disseminar narrativas que, na visão de Israel, visavam promover e coordenar ataques terroristas contra o Estado judeu em múltiplas frentes de batalha.

Ofensiva aérea atinge alvos estratégicos e infraestrutura em todo o Irã

Uma nova e severa onda de ataques aéreos atingiu a região de Nur, ao leste de Teerã, na tarde desta sexta-feira, consolidando uma expansão das operações militares contra o regime iraniano. Registros visuais divulgados pela mídia internacional e relatos locais confirmam explosões em pontos cruciais da capital e em cidades estrategicamente importantes, como Parchin, Kerman, Arak e Bandar-e Lengeh. Nestas localidades, o impacto foi sentido não apenas em alvos militares, mas também na infraestrutura logística, com a agência Tasnim relatando a destruição de pelo menos 16 embarcações comerciais em Bandar-e Lenger, atribuindo o incidente a uma ação conjunta entre forças americanas e israelenses.

A intensidade das operações terrestres e aéreas também resultou em baixas significativas entre as forças de segurança iranianas. Relatos recentes indicam que um ataque contra um posto de controle em Tabriz deixou 13 milicianos da Basij mortos e outros 18 feridos, enquanto um quartel-general da mesma organização em Semnan foi atingido na sexta-feira. No total, a ofensiva ruidosa de quinta-feira teria danificado mais de 130 instalações de infraestrutura do regime, incluindo centros de mísseis balísticos, depósitos de drones e sistemas de defesa aérea localizados nas regiões oeste e central do país, áreas onde a Força Aérea de Israel busca estabelecer uma superioridade aérea absoluta.

Para comprovar a eficácia das incursões, o Comando Central dos EUA divulgou imagens de satélite detalhando a destruição na fábrica de mísseis de Karaj, comparando o estado atual das instalações com o período anterior à intervenção iniciada em 11 de março. Paralelamente ao avanço militar, o custo humano do conflito apresenta números alarmantes. De acordo com o levantamento da agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), o acumulado de mortes desde o início das operações “Roaring Lion” e “Epic Fury”, em 28 de fevereiro, já ultrapassa a marca de 3 mil vítimas.

O balanço trágico detalhado pela HRANA indica que, das 3.186 fatalidades registradas nas últimas três semanas, 1.394 eram civis — entre os quais figuram pelo menos 210 crianças — além de 1.153 militares e centenas de mortes ainda não classificadas. Embora o monitoramento de direitos humanos não diferencie as vítimas causadas especificamente por ataques americanos ou israelenses, os dados refletem a escala sem precedentes da crise humanitária e militar que se instalou no Irã em meio à tentativa das potências aliadas de neutralizar a capacidade de retaliação do regime contra o Estado de Israel.

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