EUA dobram aposta militar e enviam o maior porta-aviões do mundo ao Oriente Médio para encurralar o Irã
O cenário de instabilidade no Oriente Médio ganhou um novo capítulo com a decisão de Washington de mobilizar o USS Gerald R. Ford, o mais avançado porta-aviões da Marinha americana, para a região.
Atualmente posicionado no Caribe, o navio e sua frota de escolta devem se juntar ao USS Abraham Lincoln, que já opera na área. De acordo com informações obtidas pelo The New York Times, a tripulação foi notificada nesta quinta-feira e a previsão é que a missão se estenda até, pelo menos, o final de abril.
A movimentação ocorre após declarações do presidente Donald Trump, que mencionou a possibilidade de reforçar a pressão militar caso os diálogos sobre o programa nuclear de Teerã não avancem. Embora o governo inicialmente tenha mantido sigilo sobre qual embarcação seria deslocada, a confirmação do envio do Ford sinaliza um endurecimento na estratégia de dissuasão dos Estados Unidos contra a nação persa.
O poderio do gigante dos mares
O USS Gerald R. Ford não é apenas mais um reforço; trata-se do maior navio de guerra já construído pelos Estados Unidos. Comissionado em 2017 para substituir a classe Nimitz, o porta-aviões de propulsão nuclear custou cerca de US$ 13 bilhões. Com 334 metros de comprimento e um deslocamento que supera 100 mil toneladas, a embarcação abriga uma tripulação de aproximadamente 4.600 militares e uma ala aérea completa, representando o ápice da tecnologia bélica naval contemporânea.
O jogo de xadrez diplomático e militar
Apesar da movimentação americana, o comando da Marinha da República Islâmica do Irã adotou um tom de ceticismo. O contra-almirante Shahram Irani minimizou as alegações de reforço naval na costa iraniana, afirmando que nenhum porta-aviões dos EUA entrou, de fato, no Golfo Pérsico. A resposta de Teerã busca contrabalançar a narrativa de Washington e reafirmar o controle sobre suas águas territoriais.
No campo diplomático, o clima é de ambivalência. Recentemente, representantes dos dois países participaram de negociações indiretas em Muscat, Omã. Enquanto Trump classificou o interesse iraniano em um acordo como “alto”, o negociador iraniano Araghchi descreveu o ambiente como “positivo”.
No entanto, o impasse permanece: o Irã aceita verificações internacionais sob o direito internacional, mas já alertou que não abrirá mão do enriquecimento de urânio, classificando qualquer interrupção total como “inaceitável”.
Defesa da soberania e ameaças de retaliação
Durante as celebrações do 47º aniversário da Revolução Islâmica, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reforçou que o país não busca armas nucleares, mas defendeu o direito ao desenvolvimento tecnológico.
Ao mesmo tempo em que mantém canais de comunicação abertos, o governo iraniano endurece o discurso de defesa, prometendo “golpes pesados” contra qualquer equívoco estratégico cometido pelos Estados Unidos na região.
A presença de dois porta-aviões americanos em águas próximas ao Irã eleva a temperatura de um conflito que, embora atualmente travado na retórica e na diplomacia indireta, mantém o mundo em alerta para os riscos de uma escalada militar direta.


