EUA aumentam prontidão militar com Japão perto de Taiwan em meio à preocupação com uma possível invasão da China

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Os Estados Unidos e o Japão continuam a intensificar sua preparação militar conjunta em meio à preocupação com uma possível invasão de Taiwan pela China, um cenário que poderia arrastar os dois aliados para um conflito regional.

No final de outubro, o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC) estabeleceu um Ponto Avançado de Reabastecimento e Rearme (FARP) na ilha de Yonaguni durante um exercício. Yonaguni é a ilha habitada mais ocidental do Japão e está localizada a apenas 111 quilômetros da costa leste de Taiwan. Esta ação visa ampliar o alcance operacional das aeronaves em um potencial cenário de combate.

O estreito canal entre Yonaguni e Taiwan é uma rota frequentemente utilizada pelos militares chineses para trânsito e manobras, o que tem elevado as preocupações de segurança no Japão em relação às suas ilhas do sudoeste, caso Pequim decida tomar a ilha autogovernada de Taiwan pela força.

Capacidade inédita e aumento da Interoperabilidade

A instalação do FARP em Yonaguni marcou a primeira vez que um ponto capaz de reabastecer e realizar manutenção em aeronaves e helicópteros foi estabelecido nesta ilha remota japonesa. A 1ª Ala Aérea da Marinha, sediada em Okinawa, confirmou o exercício conjunto com a Força Terrestre de Autodefesa do Japão (JGSDF) em 27 de outubro. Equipamentos transportados por via aérea de Okinawa foram utilizados para reabastecer helicópteros CH-53E, demonstrando as capacidades logísticas.

A capacidade de estabelecer e desmontar rapidamente esses pontos de resposta em ambientes marítimos, como no Indo-Pacífico, é crucial para apoiar operações expedicionárias e respostas a desastres, aumentando significativamente o alcance e a eficácia das unidades aéreas.

O coronel Lee W. Hemming, comandante do Grupo Aéreo de Fuzileiros Navais 36, destacou que a rapidez na instalação e remoção dos FARPs em ambientes austeros melhora a capacidade da unidade de responder a crises. O Major Patrick X. Kelly, oficial executivo do Esquadrão de Helicópteros Pesados da Marinha 462, afirmou que o exercício fortaleceu as capacidades combinadas e a interoperabilidade das forças americanas e japonesas.

Alerta de segurança e futuras operações

As forças armadas dos EUA mantêm cerca de 60.000 soldados, além de ativos como caças furtivos e um porta-aviões, no Japão sob um tratado de defesa mútua. No entanto, em caso de intervenção em Taiwan, as forças americanas poderiam se tornar alvos de mísseis chineses, visto que Pequim historicamente adverte contra qualquer intervenção militar estrangeira na ilha. O Ministério das Relações Exteriores da China não se manifestou sobre as operações.

O USMC já havia realizado exercícios em Yonaguni, incluindo o uso de radar AN/TPS-80 (GAO) no ano passado, capaz de detectar ameaças como aeronaves e mísseis.

A 1ª Ala Aérea da Marinha dos EUA reiterou que a execução conjunta das operações FARP é “inestimável”, reforçando o compromisso mútuo e a confiança entre as nações, e exemplificando o empenho em manter a máxima prontidão no Indo-Pacífico.

Ainda não há confirmação se o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA realizará mais operações FARP nas ilhas japonesas, especialmente envolvendo seus caças furtivos F-35B, que podem operar a partir de bases austeras devido à sua capacidade de decolagem curta e pouso vertical.

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