EUA anunciam plano para gerir lucros do petróleo e estabilizar a Venezuela
O Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, detalhou nesta quarta-feira a estratégia de “tremenda influência” que o governo Trump passou a exercer sobre a Venezuela. O pilar central dessa pressão é a chamada “quarentena” imposta ao petróleo sancionado, que confere aos Estados Unidos o poder de ditar o ritmo da economia venezuelana.
Segundo Rubio, Washington assumirá o controle total sobre a distribuição dos lucros obtidos com a venda do óleo bruto, assegurando que o capital seja gerido diretamente pelos EUA para evitar o que classificou como corrupção do regime anterior.
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O plano de três fases para a transição
Em reuniões com senadores e jornalistas, Rubio delineou um processo dividido em três etapas para o futuro do país sul-americano: estabilização, recuperação e transição. O objetivo imediato é evitar que a queda de Nicolás Maduro resulte em um cenário de caos social.
A fase de recuperação prevê a abertura do mercado venezuelano para empresas ocidentais de forma “justa”, além de promover a reconciliação nacional e a anistia para forças de oposição. Embora a fase de transição final ainda careça de detalhes específicos, o governo americano afirma que o progresso atual é positivo e focado na estabilidade energética global.
Confisco e comercialização imediata de barris
A Casa Branca, por meio da secretária de imprensa Karoline Leavitt, confirmou que o confisco de 30 a 50 milhões de barris de petróleo venezuelano já está em curso, com a chegada das cargas aos portos americanos prevista para “muito em breve”. O governo dos EUA já iniciou a comercialização desse petróleo no mercado global, operando com o apoio financeiro de grandes bancos e comerciantes de commodities.
O presidente Donald Trump reforçou que o dinheiro, proveniente de vendas a preços de mercado (atualmente em torno de US$ 60 o barril), será controlado pessoalmente por ele para garantir que os benefícios alcancem tanto os cidadãos venezuelanos quanto os interesses dos Estados Unidos.
Resposta da PDVSA e operações marítimas
Surpreendentemente, a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) confirmou estar em negociações com Washington, descrevendo o processo como uma transação comercial pautada na legalidade e transparência, similar aos acordos já existentes com empresas como a Chevron. Enquanto as negociações avançam em solo, a força operacional dos EUA intensificou a vigilância marítima, realizando a apreensão de mais dois petroleiros ligados à Venezuela no Atlântico Norte e no Caribe.
Com essas ações, o número de embarcações detidas sobe para quatro, consolidando o cerco logístico liderado pelo Secretário de Energia, Chris Wright, que afirmou que o controle sobre as vendas de petróleo venezuelano poderá ser mantido por tempo indefinido.
O novo cenário político em Caracas
A situação política na Venezuela sofreu uma guinada dramática após a operação que resultou na deposição de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados aos Estados Unidos para enfrentar acusações de tráfico de drogas e posse de armas, declarando-se inocentes em tribunal.
Com a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina, Washington agora manobra para guiar o novo governo. Embora o presidente Trump tenha sugerido que os EUA poderiam “governar” o país e que empresas americanas serão vitais para reconstruir a infraestrutura petroleira, especialistas alertam que a plena revitalização da indústria da Venezuela deve levar anos para se concretizar.


