Estudantes iranianos ignoram ameaças e protestam pelo 3º dia sob o coro de ‘morte ao ditador’
O cenário político no Irã atingiu um novo ponto de ebulição nesta segunda-feira. Estudantes universitários completaram o terceiro dia consecutivo de manifestações, marcando o primeiro grande levante após a repressão violenta ocorrida há pouco mais de um mês, que resultou em milhares de fatalidades.
O movimento estudantil ressurge em um momento de extrema fragilidade diplomática, enquanto Teerã e Washington medem forças antes de uma rodada decisiva de negociações em Genebra.
O levante nos campi e a simbologia do protesto
Desta vez, o epicentro da insatisfação se concentrou nos muros acadêmicos, com destaque para a Universidade Al Zahra, em Teerã. O que começou como coros antigovernamentais evoluiu para atos simbólicos de resistência, como a queima da bandeira nacional. Em um gesto de escárnio direcionado ao Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, estudantes penduraram ratos de brinquedo em árvores, sugerindo que a liderança do país se esconde “sob a terra”.
A resposta estatal não tardou. Relatos do canal Anjmotahed indicam que a milícia Basij invadiu a Universidade Sharif, deixando feridos e forçando o envio de ambulâncias ao local. Paralelamente à força física, o governo utiliza táticas de intimidação digital, enviando mensagens de texto aos alunos com ameaças de sanções disciplinares severas.
Diplomacia sob a sombra da ameaça militar
Enquanto as ruas fervem, o tabuleiro internacional opera sob alta voltagem. O porta-voz das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, reiterou que qualquer agressão externa será respondida com uma retaliação “feroz”. O aviso ecoa o tom de Donald Trump, que alertou para consequências graves caso não se chegue a um consenso.
Apesar da retórica agressiva, há movimentos nos bastidores. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, indicou que o Irã levará propostas a Genebra para garantir que seu programa nuclear não possui fins bélicos. Entre as concessões possíveis está o retorno ao Protocolo Adicional, permitindo inspeções mais rigorosas da ONU em instalações iranianas.
Rachaduras na base de apoio e alianças de oposição
Khamenei enfrenta o que especialistas consideram a crise mais profunda de suas quase quatro décadas de poder. Além da economia sufocada por sanções, o governo agora lida com uma oposição interna que começa a se organizar. Cinco partidos curdos iranianos anunciaram uma coalizão inédita para derrubar o regime, alegando perda total de legitimidade estatal.
Mesmo figuras historicamente moderadas, como o ex-presidente Mohammad Khatami, endureceram o tom. Anteriormente alinhado à narrativa de que os protestos seriam orquestrados por potências estrangeiras, Khatami agora exige a libertação dos detidos, descrevendo os atos como uma manifestação legítima de desespero popular.
O fator russo e a defesa aérea
Em meio à instabilidade, a segurança estratégica do Irã ganha um reforço externo. Informações recentes apontam para um acordo sigiloso de € 500 milhões firmado com a Rússia. O contrato prevê a entrega de milhares de mísseis portáteis de última geração e unidades de lançamento Verba nos próximos três anos, uma tentativa clara de Teerã de blindar seu espaço aéreo contra possíveis incursões estrangeiras enquanto a diplomacia caminha na corda bamba.


