Em ligação, Xi Jinping propõe a Lula aliança para blindar o Sul Global e fortalecer o papel da ONU

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Em uma conversa telefônica de aproximadamente 45 minutos realizada nesta quinta-feira (22), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping reafirmaram o compromisso de aprofundar a cooperação entre Brasil e China. Durante o diálogo, o líder chinês enfatizou a necessidade de as duas nações atuarem em conjunto na defesa dos interesses do Sul Global e na promoção de uma ordem internacional mais equilibrada.

Segundo informações da agência estatal Xinhua, Xi Jinping destacou que, diante das atuais tensões geopolíticas, a parceria sino-brasileira é fundamental para proteger a equidade internacional e fortalecer o papel central das Nações Unidas como mediadora de conflitos.

Como um gesto prático de aproximação bilateral, o presidente Lula anunciou que o governo brasileiro concederá isenção de visto para algumas categorias de cidadãos chineses em viagens de curta duração. A medida é uma resposta direta à política de isenção adotada pela China desde 2025 para brasileiros.

Xi Jinping aproveitou a ocasião para reforçar que Pequim pretende consolidar-se como uma parceira constante dos países da América Latina e do Caribe, buscando o desenvolvimento de relações “mutuamente benéficas” em diversas frentes econômicas e políticas.

O desafio do Conselho da Paz e o esvaziamento da ONU

O contato entre Brasília e Pequim ocorreu em um cenário de forte instabilidade global, marcado pelo lançamento oficial do “Conselho da Paz” por Donald Trump. A nova estrutura, criada para gerir a situação na Faixa de Gaza e a reconstrução do território palestino, é vista por analistas internacionais como uma tentativa de criar uma “ONU paralela” e esvaziar a influência da organização tradicional. Embora líderes como o argentino Javier Milei tenham comparecido à cerimônia de lançamento, nenhum grande aliado ocidental esteve presente. O presidente Lula, apesar de convidado para integrar o conselho, ainda não oficializou sua resposta, mantendo uma posição cautelosa.

Tensões geopolíticas e a postura dos Estados Unidos

Enquanto Brasil e China defendem o multilateralismo, o governo Trump intensifica ações unilaterais que geram alerta na comunidade internacional. O lançamento do conselho foi acompanhado de duras críticas de Trump às Nações Unidas, embora ele tenha afirmado que sua nova estrutura aceitará dialogar com a organização.

O clima de tensão é agravado por ações militares recentes, como a invasão da Venezuela e a captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas. Além disso, as recentes ameaças de ofensivas contra o Irã e até sobre a Groenlândia colocam as potências emergentes em estado de vigilância quanto à estabilidade do sistema internacional.

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