Em Davos, Macron ataca investidas de Trump na Groenlândia em discurso incendiário
O presidente da França, Emmanuel Macron, protagonizou um momento de forte tensão diplomática durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira. Ao discursar para a elite financeira global, o líder francês criticou abertamente as recentes investidas de Donald Trump sobre a Groenlândia, classificando a postura do homólogo norte-americano como anacrônica.
Macron enfatizou que o cenário internacional contemporâneo não comporta práticas de imperialismo ou colonialismo, reforçando que a União Europeia não se submeterá à “lei do mais forte”. Em um tom de advertência, o presidente mencionou que o bloco europeu avalia acionar instrumentos jurídicos anticoerção contra os Estados Unidos, apesar da aliança histórica entre as potências.
O embate entre o direito e a força
Durante sua intervenção, Macron defendeu os valores democráticos europeus, contrastando o respeito à ciência e ao Estado de Direito com o que chamou de “teorias da conspiração e brutalidade”. Ele rebateu as críticas de Trump sobre a suposta lentidão da Europa em responder a crises, argumentando que a previsibilidade e o rigor institucional do bloco são, na verdade, vantagens estratégicas no atual panorama global. Além da defesa institucional, o mandatário francês sinalizou uma abertura maior aos investimentos chineses na Europa, desafiando a política de contenção econômica promovida por Washington contra Pequim.
Vazamento de mensagens e solidariedade à Dinamarca
A temperatura da disputa aumentou após Donald Trump divulgar, em sua rede social Truth Social, uma mensagem privada enviada por Macron. No texto, o francês questionava diretamente as intenções dos EUA em relação à ilha do Ártico e reafirmava o apoio incondicional da França à Dinamarca diante das pressões externas.
Apesar das divergências sobre a Groenlândia, a mensagem revelou que Paris e Washington mantêm alinhamento em temas sensíveis como os conflitos na Síria e as negociações com o Irã. Macron chegou a sugerir uma reunião extraordinária do G7 em Paris, com a participação de representantes da Ucrânia, Dinamarca e até da Rússia como observadora, para tentar mediar o impasse.
O enigma dos óculos escuros
Um detalhe que atraiu a curiosidade do público e gerou ampla repercussão nas redes sociais foi a aparência do presidente francês, que discursou utilizando óculos escuros. Macron justificou o uso do acessório devido a uma condição ocular descrita por ele como “completamente inofensiva”, embora não tenha detalhado o diagnóstico médico durante suas falas oficiais.
Contudo, informações divulgadas pela imprensa internacional sugerem que a condição seria decorrente da ruptura de uma veia ocular causada por um derrame, o que teria deixado uma mancha visível em seu olho. O presidente pediu desculpas pela aparência incomum, minimizando o impacto do problema em sua agenda de trabalho.


