Em carta à ONU, Irã promete resposta decisiva e responsabiliza EUA por “consequências imprevisíveis”
A Missão Permanente do Irã junto às Nações Unidas formalizou um alerta severo direcionado ao Secretário-Geral da ONU e ao Conselho de Segurança, delineando os riscos de um eventual confronto militar com os Estados Unidos. No documento assinado pelo embaixador Amir Saeed Iravani, Teerã reitera que, embora não busque a guerra ou a escalada de tensões na região, está plenamente preparada para exercer seu direito de autodefesa.
A fundamentação jurídica da mensagem baseia-se no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que garante a resposta decisiva e proporcional diante de qualquer agressão estrangeira.
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O comunicado iraniano vai além da retórica diplomática ao definir alvos claros em um possível cenário de retaliação. Segundo a carta, qualquer base, instalação ou ativo pertencente a “forças hostis” na região será considerado um alvo legítimo caso o território iraniano seja atingido.
O governo persa enfatizou que a responsabilidade direta por desdobramentos incontroláveis e crises humanitárias ou militares decorrentes de um ataque recairá inteiramente sobre Washington, classificando qualquer ofensiva norte-americana como um “erro estratégico” que seria respondido com golpes pesados.
Diplomacia sob pressão: Negociações nucleares e o impasse do urânio
Apesar das ameaças militares, o cenário internacional apresenta uma dualidade marcada por tentativas de diálogo. Recentemente, representantes dos dois países participaram de conversas indiretas em Mascate, Omã, focadas nos programas nucleares e de mísseis de Teerã.
O presidente Donald Trump demonstrou otimismo após o primeiro encontro, sugerindo que o governo iraniano estaria interessado em um novo acordo. Do lado iraniano, o clima foi descrito como positivo, mantendo-se a disposição para futuras rodadas de negociação agendadas para Genebra, na Suíça.
Contudo, a abertura para o diálogo encontra limites rígidos na soberania tecnológica do Irã. As autoridades de Teerã foram enfáticas ao declarar que a interrupção total do enriquecimento de urânio é uma exigência “absolutamente inaceitável”. Enquanto o foco dos EUA permanece na contenção nuclear, o Irã utiliza a via diplomática para tentar aliviar a pressão econômica, sem abrir mão do que considera ser seu direito ao desenvolvimento energético. O equilíbrio entre a retórica de guerra e a mesa de negociações define agora o ritmo da estabilidade no Oriente Médio.


